Hospital São Paulo ameaça suspender cirurgias de alto custo
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Lígia Formenti 
São Paulo, 18 (AE) - O Hospital São Paulo, um dos mais importantes da cidade, ameaça suspender cirurgias de alto custo, como transplantes e operações cardíacas de grande porte. O diretor- superintendente do hospital, José Roberto Ferraro, afirmou hoje que a medida será adotada caso o preço de materiais usados nos procedimentos seja reajustado. "Não teremos condições de arcar com o aumento anunciado", disse. Segundo ele, alguns itens poderão ter o preço elevado em 100%.
Responsável pelo atendimento de 4.500 pacientes por dia e por 60 internações, o hospital nos últimos meses não consegue arcar com suas despesas. "Temos um déficit mensal de 15%", contou. Ferraro acredita que este ano a situação poderá piorar. "Em 1998, tivemos a ajuda da Secretaria Estadual da Saúde, mas isso não deverá repetir- se". Para ele, uma das alternativas seria transferir a responsabilidade da folha de pagamento. Atualmente, apenas 50% dos gastos com funcionários são cobertos pelo Ministério da Educação. O restante é pago com parte da verba do Sistema Único de Saúde (SUS), que é de R$ 7,2 milhões mensais. Crise - A crise já afeta pacientes. Internado desde o dia 4 de janeiro, o diabético Celso Antônio da Silva teve uma cirurgia de amputação do pé adiada duas vezes por falta de vaga. "Ele chegou a ser preparado para a operação e ficou várias horas em jejum, mas, na última hora, a cirurgia, que deveria ser urgente, foi cancelada", afirmou o filho de Celso, Maurício da Silva. "A operação foi feita depois de dias de espera".
Para garantir o bom atendimento do pai, Silva levou para o hospital materiais básicos como esparadrapo e gaze. Além disso, comprou um medicamento que havia sido receitado pelo médico do hospital. "Funcionários garantem que faltam materiais básicos, até luvas descartáveis", relatou Silva. Ferraro, porém, garante que a falta de materiais não é crônica. "Às vezes falta um ou outro item, mas o básico ainda garantimos".


