Hospital recebe Pelé com resultados de pesquisa
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quinta-feira, 26 de março de 2009
Diego Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O melhor jogador de futebol de todos os tempos, Pelé, esteve ontem em Curitiba para participar da apresentação de resultados preliminares de duas pesquisas realizadas, com seu apoio, pelo Hospital Pequeno Príncipe. No total, o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, por meio do programa Gols pela Vida, dá suporte em 34 pesquisas. Todos os 1.283 gols do Rei foram transformados em medalhas, que são vendidas para as pesquisas do hospital.
O primeiro resultado parcial apresentado pela instituição foi sobre os transtornos neurocognitivos e comportamentais. De acordo com a responsável pela área, a neurocientista Mara Lucia Cordeiro, 275 crianças já foram avaliadas.
Entre os objetivos dessa pesquisa, realizada por 13 cientistas, está a identificação de fatores biológicos que possam contribuir para os transtornos. Cerca de 60% dos jovens em conflito com a lei têm esse transtorno. Está na hora de fazermos alguma coisa para essa população, afirmou Mara.
O transtorno ocorre em razão de um mau funcionamento de estruturas cerebrais que modulam funções de atenção, linguagem, memória e emoção, que causam dificuldades de aprender e de se relacionar. Entre 12% e 19% da população mundial de crianças e adolescentes sofrem desse tipo de transtorno.
Outro resultado apresentado foi de pesquisas sobre o câncer de córtex adrenal. A doença, conhecida também como câncer das glândulas suprarrenais, é resultado de uma mutação no gene p53, raro. Mas, no Paraná, há uma incidência entre 12 e 18 vezes maior do que a média mundial. Para saber os motivos, há ainda o desenvolvimento de um projeto de geomedicina para saber as influências ambientais na maior incidência da mutação nos paranaenses.
As últimas pesquisas já diagnosticaram precocemente a mutação em cinco crianças que puderam ser tratadas com antecedência. Foi o caso de Maria Eduarda Woinarovics, 4 anos. A doença dela era um caso raro. Quando descobrimos, em três ou quatro semanas, ela teria que ser operada, porque ela poderia morrer, explicou o pai, Eduardo. Ele lembrou que a cirurgia de remoção do tumor foi um sucesso, apesar de ser de alto risco.
Para Pelé, apoiar o projeto é uma alegria que não pode ser descrita. Espero que este projeto seja exemplo. Temos já o fato positivo de cinco crianças bene-ficiadas, afirmou o melhor de todos os tempos, ressaltando a falta de interesse dos governos neste tipo de pesquisa.


