Londrina – O Hospital Ortopédico de Londrina vai prorrogar até a próxima quinta-feira o atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi acertada ontem após uma reunião de portas fechadas do Conselho Municipal de Saúde. O hospital havia comunicado que a partir de sábado não atenderia mais pelo SUS, em virtude de um impasse com o município em relação ao repasse mensal pelos atendimentos.
Foi instituída uma comissão de sete membros do conselho, que irá analisar os contratos da prefeitura com o hospital. "O objetivo é que a comissão indique uma proposta intermediária, que seja boa para os dois lados e que tenha o parecer da Procuradoria do Município para que possamos resolver este impasse", explicou o secretário municipal de Saúde, Francisco Eugênio de Souza.
A direção do Hospital Ortopédico não quis se pronunciar, mas garantiu que o atendimento seguirá normalmente. No fim da tarde de ontem, a faixa que comunicava o fim do atendimento pelo SUS foi retirada da entrada do pronto-socorro.
O impasse começou quando a prefeitura decidiu mudar a forma dos repasses, atendendo uma orientação da Procuradoria Jurídica. O hospital recebia um valor fixo mensalmente, independentemente do número de atendimentos. O município quer agora que o repasse seja feito de acordo com o total de procedimentos.
"O Ortopédico recebe entre R$ 180 mil e R$ 200 mil mensais. A variação média de atendimento é de 50% deste valor. Esta diferença que foi analisada e questionada pela Procuradoria. O hospital tem que atender mais para chegar perto do 100% que é repassado", frisou Francisco Eugênio.
O Hospital Ortopédico faz aproximadamente 3 mil procedimentos pelo SUS por mês. Se o descredenciamento acontecer, existe a possibilidade da demissão de metade do quadro de 50 funcionários. Uma das reclamações do hospital é que o valor repassado pelo município é muito baixo e que, por ser um hospital particular, não tem os benefícios de isenções fiscais que os filantrópicos possuem.
"O município não tem como fazer diferenciação no repasse do dinheiro. A tabela de referência do SUS é a mesma no Brasil todo, seja para hospital particular ou filantrópico", apontou o secretário.
Um possível descredenciamento do Hospital Ortopédico agravaria ainda mais a crise do atendimento emergencial para pacientes do SUS em Londrina. As alternativas ficariam restritas aos hospitais Universitário (HU) e da Zona Norte. "Teríamos que computar o número de atendimentos e realocar estes pacientes em outros hospitais. Mas o nosso objetivo não é esse", acrescentou Francisco Eugênio.
Alguns pacientes sofreram com a demora no atendimento na tarde de ontem no Ortopédico. A aposentada Lucia Alves, de 65 anos, moradora de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), aguardava desde as 10 horas da manhã uma infiltração no joelho. "O médico me atendeu e indicou a aplicação do remédio. Saí dos consultório e estou até agora (16h30) esperando me atender. Estou com muita dor e dificuldade para andar", colocou.
A operadora de caixa Daniele Messias Nunes, de 26 anos, sofreu uma queda no trabalho e torceu o tornozelo direito. Ela já esperava há mais de três horas pelo atendimento. "Eles me falaram que só tem um médico e ele está atendendo primeiro quem tem convênio", ressaltou.
A direção do Ortopédico alegou que houve demora no atendimento em virtude da presença de dois médicos na reunião do Conselho de Saúde. Com o retorno dos profissionais, o atendimento seria normalizado.

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