Marcos Zanatta
A privatização mais bem-sucedida aconteceu na área de saúde em Paiçandu (10 km a leste de Maringá). Há exatamente um ano, a prefeitura repassou o Hospital São José, construído com recursos públicos, para o médico Francisco Vieira. Com 46 leitos, o hospital se tornou referência de atendimento público na região. ‘‘Dos 400 atendimentos por mês, pelo menos metade é de Maringᒒ, revela Vieira. Ele diz que 90% dos pacientes atendidos ou internados são do Sistema Único de Saúde (SUS).
O arrendamento do hospital aconteceu depois de uma tentativa malsucedida da prefeitura de manter o atendimento. O Reforsus ficou de repassar R$ 350 mil para o município, mas o dinheiro não apareceu. Sem recursos para equipar o prédio, construído depois de muita cobrança no repasse de verbas do Estado, o local virou um pronto-atendimento. O município gastava em média R$ 80 mil por mês para manter a estrutura do hospital e o retorno era mínimo. ‘‘A gente tinha que gastar muito mais que recebia para a área de saúde e ainda mandar pacientes para outras cidades’’, lembra o prefeito Jonas Lima (PTB).
A prefeitura abriu licitação e impôs condições para os interessados, repassar as autorizações do SUS e não pagar mais nada. O médico Francisco Vieira, que já tinha um hospital na cidade e um outro na região, fez a melhor proposta. Ele transferiu todos os equipamentos que tinha nos dois hospitais para o São José, reformou o prédio e ainda investiu outros R$ 300 mil para equipar todos os setores. Os 23 médicos, de todas as especialidades, recebem por procedimento e o hospital tem apenas 45 funcionários fixos.
‘‘Trabalhamos com uma estrutura enxuta, mas conseguimos atender 30 municípios e sobreviver quase que exclusivamente do SUS’’, comemora Vieira.

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