Hospital já troca similar por genérico
Valmir Denardin
De Curitiba
Alguns dos principais hospitais que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná já começam a trocar os medicamentos similares pelos genéricos. Há anos no mercado, os similares são cópias legais dos remédios de marca. Têm o mesmo princípio ativo dos originais, mas não foram submetidos a testes de bioequivalência (que avalia a sua composição e os efeitos que produzem no organismo) e biodisponibilidade (que compara o tempo e a forma de absorção da droga pelo organismo).
Os medicamentos genéricos só começaram a chegar ao mercado no último dia 3 de fevereiro, depois de terem sido aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS), órgão do Ministério da Saúde. A liberação só ocorre depois da realização dos testes de bioequivalência e biodisponibilidade. Por isso, os médicos consideram os genéricos mais confiáveis que os similares.
Pelo menos dois dos maiores hospitais de Curitiba - Evangélico e Cajuru - já adotam a substituição. Como compram em grandes quantidades e diretamente do fabricante, esses hospitais ainda não estão sendo afetados pela falta de genéricos no mercado paranaense, conforme a Folha mostrou em reportagem publicada na edição de ontem. O desabastecimento de genéricos atinge farmácias das principais cidades do Estado.
Com 320 leitos, 75% deles destinados ao SUS, o Hospital Cajuru partiu para o uso de genéricos assim que eles começaram a chegar ao mercado. Segundo a farmacêutica Mariane Schlag, diretora técnica do hospital, esses medicamentos são mais baratos e mais confiáveis que os similares. Como os genéricos passaram pelos testes em laboratório, temos a certeza que terão a mesma eficácia dos remédios de referência, afirma Mariane.
De acordo com ela, os genéricos são entre 30% e 40% mais baratos que os similares. Dos 26 sais (princípios ativos dos medicamentos) genéricos já aprovados, o Cajuru já utiliza 11. Dos que já estão sendo produzidos em grande escala, só não utilizamos a cefoxitina sódica (penicilina) e o fostato dissódico de dexametasona (antiinflamatório), cujas marcas similares são de muito boa qualidade.
No Hospital Evangélico - mantido pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, onde 70% dos 504 leitos são destinados ao SUS - a substituição também se dá à medida que os genéricos começam a ser fabricados. Mas ainda não temos similares e nem genéricos de muitos medicamentos, principalmente antibióticos de última geração. Nesse caso, somos obrigados a comprar os de marca, o que eleva os custos, explica o neurocirurgião Charles London, diretor-adjunto do Evangélico.
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) - o maior do Paraná, com 600 leitos, todos de atendimento público - ainda não está trocando similares por genéricos. Segundo João Carlos Seratiuk, chefe do Serviço de Farmácia do hospital, essa situação ocorre por dois motivos: incerteza quanto à qualidade dos genéricos e a burocracia do serviço público.
A compra de medicamentos ou qualquer outro produto no HC precisa passar pelo processo de licitação, que é demorado. O hospital gasta R$ 6 milhões por ano em medicamentos. Em relação à qualidade dos genéricos, Seratiuk diz que só o tempo vai esclarecer. A ANVS não testa por conta própria a qualidade dos medicamentos antes de aprová-los. Ela só faz a contraprova quando há alguma suspeita de irregularidade.





