Hospital faz neurocirurgias sem dor
Cirurgias para o tratamento do Mal de Parkinson, neurocisticercose (retirada do ovo de solitária do cérebro), epilepsia e biópsia de tumor cerebral são realizadas sem dor e com o paciente acordado por neurocirurgiões do Hospital Austa e Hospital de Base de São José do Rio Preto, no Interior paulista. O paciente movimenta as mãos e relata o que sente aos médicos. A operação fica mais precisa, segura, evitando sequelas após a cirurgia, diz o neurocirurgião Sebastião Carlos da Silva Júnior.
A equipe do Centro de Neurologia e Neurocirurgia daqueles hospitais fez, há seis anos e meio, a primeira cirurgia com essa técnica avançada no Hospital Austa. Foi também a primeira realizada no Brasil. A paciente, com astrocitoma, era uma menina de Santa Bárbara DOeste. O tumor, que media 4,5 centímetros de diâmetro, quando foi extraído do cérebro da paciente, causava crises convulsivas, dificuldades de movimento e da fala. São poucos os centros médicos do País que possuem especialistas e equipamentos sofisticados para fazer este tipo de operação.
A cirurgia para a retirada do ovo de solitária alojado no cérebro envolve a localização e observação tridimensional do ovo, com recursos da tomografia computadorizada. Anestesia local é aplicada (o paciente fica acordado) e faz-se um pequeno corte na pele (couro cabeludo) e uma perfuração de cerca de três milímetros de diâmetro no crânio. Esta abertura permite a introdução de uma pinça para a retirada do ovo. Ele sai inteiro, afirma o neurocirurgião Silva Júnior.
O ovo de solitária, quando chega ao cérebro, pode morrer e ficar calcificado, ou cresce, formando uma bolsa cheia de líquido, que comprime o cérebro. O paciente apresenta problemas neurológicos. São dores de cabeça, crises convulsivas, fraqueza e, sem tratamento, o caso vai se agravando. O ovo de solitária, com esta nova técnica, é fácil de ser localizado no cérebro e a cirurgia é segura, declara o especialista.
Cerca de 5% dos pacientes que fazem a tomografia computadorizada têm neurocisticercose. Desses, 0,2% precisam ser operados para a retirada do ovo, afirma o neurocirurgião. O Estado de São Paulo, Norte do Paraná, o Triângulo Mineiro e regiões de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, são áreas endêmicas. Inexistem dados recentes, mas o número de pessoas contaminadas deve estar diminuindo pela melhoria sanitária na criação de suínos e pelas campanhas educativas para que a população evite o consumo de carne de porco crua ou mal passada. Verduras e legumes devem ser bem lavados. É que o verme (tênia), na forma larvária, é eliminado pelas fezes e pode ter contaminado a água usada na irrigação de hortas.
A cirurgia do Mal de Parkinson elimina o tremor e a rigidez do paciente na hora. O aparelho estereotáxico é colocado na cabeça do paciente para a tomografia computadorizada tridimensional e faz-se o planejamento cirúrgico detalhado. Localiza-se o tálamo, uma das áreas do cérebro, e o núcleo ventro-lateral. Este tálamo é destruído por termo-coagulação e interrompe-se a propagação de estímulo que causam tremor e rigidez. É como uma central telefônica que deixa de funcionar e, consequentemente, as mensagens não passam de um lado para o outro, explica o neurocirurgião.
As operações para tratamento de epilepsia naquele centro de neurologia e neurocirurgia foram iniciadas em 91. Eliminamos as crises em 80% dos pacientes, afirma Silva Júnior. A cura total depende da área do cérebro que foi alterada. Anestesia local é aplicada quando a região afetada é do lado esquerdo do cérebro e, nesse caso, o paciente fica acordado e conversa com os médicos durante a cirurgia. Se é do lado direito, a anestesia é geral. A epilepsia pode atacar crianças, jovens e adultos, diz. Tivemos pacientes de cinco a 70 anos.
A biópsia do tumor cerebral também é feita naquele centro. É um procedimento seguro, pouco invasivo e ajuda a dar o diagnóstico do tipo de tumor e do tratamento (cirugia para a retirada do tumor, radioterapia ou quimioterapia), explica.
Funciona no Hospital de Base a Clínica de Dor, que atende pessoas que padecem de dor crônica causada por tumores, traumas, pós-operatório e lesões diversas. Fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros, além de médicos, trabalham nessa clínica. Essa equipe multidisciplinar, trata o paciente como um todo: alivia a dor nos aspectos físico, emocional e social, levando a um melhor resultado no tratamento, afirma o especialista.
O neurocirurgião Sebastião Carlos da Silva Júnior fez curso de especialização em neuro-cirurgia funcional em Berlim Ocidental (Alemanha), Montreal (Canadá), São Francisco (Estado da Califórnia, EUA), Estocolmo (Suécia), Zurique (Suíça). O Centro de Neuro Cirurgião de São José do Rio Preto é comparado aos de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A cidade é também importante centro cardiovascular, oftalmológico, oncológico e urológico.
Serviço: Hospital Austa, Tel: (017) 224.1011.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Técnica
sofisticadaImagem de ressonância nuclear magnética da cabeça. A cirurgia para a retirada do ovo de solitária alojado no cérebro envolve a localização e observação tridimensional do ovo, com recursos da tomografia computadorizadaAntônio Higa
Agência Estado





