Hospital Evangélico suspende atendimento do PS
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) amanhecem hoje com mais uma desagradável notícia envolvendo a saúde pública. O pronto socorro do Hospital Evangélico (HE) de Londrina fecha as portas e não deve reabrir até que a Prefeitura de Londrina pague os honorários médicos que estão atrasados. O montante, segundo a direção do hospital, atinge as cifras de R$ 3 milhões e equivale também a recursos para a manutenção do HE. Por mês são realizados cerca de 6 mil atendimentos no PS. Destes, pelo menos 1,5 mil são usuários do SUS.
No final da tarde de ontem a direção do HE comunicou a central de vagas do município, além do Siate e Samu, para não encaminhar nenhum paciente a partir das 7 horas de hoje. A medida de suspensão das atividades do PS foi decidida em assembléia geral com os médicos do HE realizada no último dia 10.
O diretor do hospital, Luiz Soares Koury, disse que o município não repassou os cerca de R$ 1,1 milhão equivalentes ao mês de julho, que deveriam ser pagos até o dia 20 de agosto. Além disso, todo mês cerca de 10% do total dos repasses ao HE são retidos pela prefeitura até que seja avaliado se a entidade cumpriu com todas as suas metas. Esse valor, segundo Koury, é pago sempre no mês seguinte, depois dessa avaliação. De acordo com ele, desde dezembro de 2009 isso não acontece.
''Isso tudo soma cerca de R$ 3 milhões. Somente hoje (ontem) quase 17 horas é que estamos recebendo um comunicado da Secretaria de Gestão Pública informando sobre a falta de um documento. Não é uma medida que gostaríamos de tomar, mas seria uma irresponsabilidade minha abrir o PS sem médicos suficientes para o atendimento'', comentou.
Ao todo são cerca de 200 médicos que estão com os honorários atrasados. Ainda segundo o diretor, a prefeitura cobra do hospital o pagamento de taxas que incluem também o IPTU, só que o imposto foi estabelecido como isento ao hospital há cerca de quatro anos por se tratar de uma entidade filantrópica. ''Conseguimos na justiça a isenção do IPTU. Já nos colocamos à disposição de pagar o que estivermos devendo, mas o IPTU não vamos pagar porque temos esse direito. A prefeitura até hoje não nos apresentou quais são esses valores que devemos pagar, separados do IPTU'', explicou.
O secretário municipal de saúde, Agajan Der Bedrossian, alega que o hospital tem uma pendência documental com a Secretaria de Gestão Pública. ''Não é por falta de dinheiro que o pagamento não foi feito, e sim por uma questão do documento e somente isso. O pagamento vai ser retroativo, assim que eles assinarem'', disse.


