Londrina - Um documento enviado pela equipe médica da UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Evangélico à direção clínica da instituição informa que os serviços serão integralmente paralisados no dia 21 de novembro. A lista de insatisfações inclui baixa remuneração, atraso no repasse de pagamentos, equipe insuficiente de plantonistas para completar as escalas, superlotação e excesso de trabalho. O documento inicia com o trecho dizendo que "a equipe de plantonistas da UTI Neonatal e Pediátrica encontra-se impossibilitada de manter sua escala em atividade". O documento também foi enviado à Promotoria de Defesa da Saúde Pública, Conselho Regional de Medicina e 17ª Regional de Saúde de Londrina.
Em seguida, cita que o "descontentamento de toda equipe, no decorrer dos anos, resulta na dificuldade extrema de confecção de escalas de plantão devido à saída progressiva de plantonistas." O grupo que já trabalhava no limite com 11 profissionais, está com apenas cinco médicos. O documento aponta ainda que a principal consequência dos problemas é que "profissionais altamente qualificados optam por serviços públicos de atenção primária, em detrimento de todo o investimento de vida voltado à sua qualificação".
Em novo comunicado enviado na semana passada, o grupo salienta a necessidade de informar as gestantes, bem como a transferência de pacientes prematuros ou com agravo perinatal para outros serviços que os comportem. De acordo com o diretor médico do hospital, Fernando Mangieri, reuniões estão sendo realizadas desde que o documento foi enviado, no final de outubro, para que os serviços não sejam interrompidos. "Estamos nos empenhando para resolver o atraso dos pagamentos e tentar contratar outros médicos. A falta de repasses foi um problema administrativo, mas nosso interventor já se reuniu com o pessoal", relatou.
Esta não seria a primeira equipe a comunicar a suspensão dos serviços no hospital. Segundo informações do próprio diretor, o setor de neurocirurgia e traumatologia já teria suspendido seus serviços. "O hospital todo está passando por uma crise – financeira e de falta de médicos - e não é de hoje." O diretor iria se reunir ontem com a equipe pediátrica da Associação Médica de Londrina (AML) para esclarecimentos e eventual acordo.
De acordo com o promotor Paulo Tavares, a instituição foi cobrada para que solucione os problemas internos e faça os pagamentos o quanto antes, a fim de evitar o fechamento da UTI. "A cidade não pode ficar sem a UTI", disse. Conforme ele, por enquanto, não será ajuizada nenhuma ação contra o hospital. Uma nova reunião deve acontecer nesta segunda-feira, dia 11, com representantes do grupo, do hospital, Secretaria Municipal de Saúde e Promotoria.

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