Hospital Evangélico ameaça fechar UTI pediátrica
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quinta-feira, 18 de maio de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O Hospital Evangélico (HE) de Londrina ameaça suspender amanhã o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de pacientes nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) neonatal e pediátrica por falta de médicos plantonistas. Segundo o hospital, há mais de três meses a escala de profissionais não é fechada. Atualmente o HE mantém oito leitos para atendimento pelo SUS, mas desde a última segunda-feira atende 11 crianças.
''Já cadastramos todos estes pacientes na Central de Leitos, e serão transferidos assim que tiver vagas em outros hospitais. Até lá vamos prestar atendimento normalmente, mas não vamos receber novos pacientes'', informou a diretora médica do hospital, Rossana Amin Graciano Resende. O HE é um dos hospitais de Londrina que atendem casos de gestação de alto risco, junto com o Hospital Universitário (HU).
Rossana explicou que a instituição vem enfrentando o problema da falta de médicos desde o final do ano passado, e que nos últimos meses tem tentado resolver o problema internamente. Em abril, a Secretaria Municipal de Saúde e o Ministério Público (MP) foram informados das dificuldades. ''Temos um déficit de 270 horas de atendimento por mês para fechar a escala. Os médicos preferem atender nas Unidades Básicas de Saúde e consultórios, onde conseguem melhor remuneração'', explicou a médica.
Segundo a diretora, o valor pago a cada profissional depende do número de pacientes atendidos. ''Mas a tabela não condiz com a realidade. Não temos como segurar os profissionais.''
Há cerca de um ano a Secretaria de Saúde firmou convênio com os hospitais para repasse de valor extra a cada plantão, mas, conforme Rossana, os pagamentos feitos ao HU e à Santa Casa são maiores que os valores repassados ao HE. Isto, na opinião da médica, tem sido um fator determinante para a crise enfrentada pelo serviço.
O secretário de Saúde do município, Sílvio Fernandes, foi procurado pela reportagem mas estava em Foz do Iguaçu. A diretora executiva da secretaria, Margareth Shimit, informou que o município está negociando com a direção do hospital, mas é necessário um prazo para que se busque alternativas. Margareth disse não saber se as remunerações recebidas pelos plantonistas de cada hospital são diferentes, mas que a tabela do SUS e as condições oferecidas pelo município são as mesmas.
Para o promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais e da Saúde Pública, Paulo Tavares, a possibilidade de suspensão do serviço é preocupante, mas o MP não pode obrigar o médico a trabalhar sob condições que não concorda. ''Será péssimo para Londrina e região, porque já há um estrangulamento deste tipo de serviço na cidade. Esperamos que o bom-senso prevaleça e que o gestor (secretário de saúde) saiba conduzir a situação.''
A promotoria já ajuizou duas ações civis públicas com pedido de liminar cobrando do Estado e da Universidade Estadual de Londrina a ampliação do número de leitos neonatais de UTI no HU, que enfrenta uma superlotação ''crônica''. Tavares disse esperar que seja proferida em breve a sentença da última ação ajuizada.
O HU e a Santa Casa informaram, através de suas assessorias de imprensa, que não enfrentam problemas de falta de médicos em suas UTIs.


