Hospital é equipado para atender índios
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sábado, 07 de junho de 1997
Luciane Tonon Dourados (MS) 
Luciane TononAdaptaçãoDa arquitetura ao atendimento, tudo foi adaptado para que o índio se sinta em seu habitat; cerca de 80% dos enfermeiros são índios A Missão Evangélica Caiuá, sediada em Dourados, no Mato Grosso do Sul, há 30 anos trabalha com os índios caiuá, guarani e xavante. O trabalho abrange a questão social e espiritual adaptado aos costumes indígenas. A missão mantém, por exemplo, o único hospital do País especializado em tratamentos tisiológicos (tuberculose) para índios. Da arquitetura ao atendimento, da acomodação à terapia, tudo foi adaptado para que o índio se sinta em seu habitat. Cerca de 80% da equipe de enfermagem são índios capacitados.
A maior dificuldade para tratar a tuberculose do índio é tirá-lo da sua moradia. Por isso, o ambiente do hospital é o mais parecido possível com o local onde vive, explica o diretor administrativo do hospital, Misael Barbosa. Segundo ele, o tratamento de tuberculose leva de quatro a seis meses de isolação. Isso é difícil para um índio, acostumado a viver livre.
Fundado em 1979, o Hospital Porta da Esperança é dotado de 110 leitos e atende uma média de 22 mil pessoas por ano. O corpo clínico é composto de quatro médicos, 28 enfermeiros ou auxiliares e conta ainda com pessoal de apoio e laboratoristas. A unidade tisiológica contém 50 leitos e uma média de 180 internamentos anuais.
O hospital foi construído com verba doada pela Comissão Intereclesial das Igrejas Holandesas e por convênio do governo do Estado. O Sistema Único de Saúde (SUS) contribui desde 1987. Segundo Barbosa, a verba do SUS, mal cobre a folha de pagamento. O hospital gasta mensalmente entre R$ 25 mil a R$ 30 mil.
Na medida do possível, procuramos dar o máximo de atenção e cuidados aos índios, fazendo com que eles dêem valor à vida e à cultura, comentou Barbosa. Um dos propósitos do hospital é não dar receita médica, e sim o remédio porque eles não têm como comprar.
A tuberculose é uma doença considerada familiar, de fácil transmissão. O diretor clínico do hospital, Franklin Amorin Sayão, explica que a desnutrição, a promiscuidade e o contato muito próximo entre os índios são os principais veículos de transmissão da doença. As ocas não são ventiladas e todo mundo dorme junto. Se um fica doente, todos ficam. Quando os pacientes são crianças, as mães ficam internadas junto e recebem a medicação necessária.
Segundo Sayão, quando o índio vem para o hospital é porque a doença já está em estado avançado. Normalmente eles procuram os tratamentos com plantas e benzimentos. Em último caso aceitam ajuda, relata.
Como o tratamento é de longo prazo, o hospital dispõe de um local apropriado com lenha para os índios fazerem fogo ou assarem mandioca durante o tempo livre. O atendimento aqui é bom. Eles se preocupam com nossa vida e com nossa família, disse em guarani o índio Cláudio Martins, de Taquapiri da Serra, internado há dois meses.
O setor de maternidade do hospital também oferece atrativos como a doação do enxoval para o bebê para que as índias sejam incentivadas a terem filhos com acompanhamento médico.


