Hospital é construído com o controle de infecções em mente
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Kathy Fieweger, da REUTERS (assinatura obrigatória) 
Chicago (AE-REUTERS) - Quando um cirurgião aposentado foi submetido à sua segunda operação coronária em Chicago no inverno passado, ele sabia por experiência própria que passaria por uma experiência difícil. Afinal, uma cirurgia com o coração aberto não é algo simples. A cirurgia em si transcorreu bem. Cinco válvulas foram conectadas e o fluxo sanguíneo para o coração do médico de 61 anos melhorou. Mas ele não contava com a violenta infecção adquirida no hospital que quase o matou. Ele sobreviveu, mas apenas depois de passar dois meses sob cuidados intensivos em um ventilador, semanas de pesadas drogas intravenosas e a remoção de seu externo - o longo osso no meio do peito que sustenta as costelas na caixa do tórax - repleto de pus. Os efeitos foram de longa duração. Sem o externo para apoiar suas costelas, tarefas do dia a dia como levantar objetos ou jogar golfe se tornaram dolorosas, se não impossíveis. Suas cordas vocais se juntaram devido às repetidas inserções de tubos respiratórios e tiveram que ser cortadas, deixando sua voz rouca e fraca.
Ele não está sozinho neste sofrimento. O Dr. Gary Noskin
médico diretor de controle de infecções e cuidados epidemiológicos na Faculdade de Medicina da Universidade do Noroeste, diz que 2 milhões de americanos desenvolveram uma infecção contraída em hospitais todo ano. Os agentes causadores estão em todos os lugares, na pele das pessoas e até mesmo no ar
prontos para caírem sobre um ferimento aberto. "Em geral, as pessoas não gostam de falar sobre isso", disse Noskin. "Não há dúvida de que há um grande problema com as doenças infecciosas". Quando bactérias entram no sangue e contaminam um paciente, as consequências são ainda piores. Quase 35% morrem, e para aqueles que sobrevivem a estadia no hospital aumenta para mais de uma semana, elevando também os custos. Como alguns dos agentes causadores destas infecções estão mais resistentes aos antibióticos, o controle de infecções e a prevenção são fundamentais nas mentes dos provedores de cuidados com saúde.
Mês passado o Jornal New England de Medicina reportou que a bactéria staphylococcus aureus, geralmente a causa de infecções hospitalares, está ganhando resistência ao vancomycin, o antibiótico geralmente usado como última opção. Quatro casos resistentes ao vancomycin apareceram nos Estados Unidos e médicos japoneses e britânicos identificaram uma "superbactéria" que pode resistir a praticamente todas as drogas disponíveis agora. Noskin diz que as mortes nos Estados Unidos provocadas por doenças infecciosas aumentaram 58% de 1980 a 1994 e a taxa de mortalidade cresceu de 1,9% para 4%.
Tais números são perturbadores, então quando o Hospital Memorial do Noroeste decidiu construir um novo edifício, o controle de infecções fazia parte do planejamento desde o início. O centro médico de US$ 580 milhões deve ser aberto a apenas alguns quarteirões da frente do lago de Chicago no dia 1 de maio depois de cinco anos em construção. Construído sobre os detritos do legendário incêndio em Chicago, o hospital contém um grande número de providências para o controle de infecções que não é comparável a qualquer outro no mundo. Todos os 492 quartos são privados e têm duas pias, uma na entrada, para encorajar a mais básica medida de prevenção contra contaminações - lavar as mãos. "A preocupação com a lavagem das mãos geralmente é pouca", disse Noskin. "É uma medida preventiva primária".
O ar no novo hospital é filtrado por filtros de partículas de grande eficiência e há 52 quartos de isolamento para pacientes com tuberculose e outras doenças altamente transmissíveis. Um chão especial pode ser encontrado nas salas de operação do hospital e a água passa por um processo de ionização especial para remover germes. Estas medidas adicionaram US$ 10 milhões aos US$ 20 milhões de custo da construção do hospital, disse a chefe do Escritório de Operações
Kathleen Murray.
Mas ela diz que muitas pessoas de todo o mundo foram lá para aprender com o que está sendo feito. "Muitas das coisas deste hospital nunca foram feitas antes". O Noroeste não tem dúvida de que seus esforços serão recompensados. Com uma taxa de infecções hospitalares que já está em metade das apresentadas nacionalmente, Noskin estimou que o hospital economiza US$ 5 milhões por ano em custos com cuidados médicos.


