Hospital do Rio trata arritmia cardíaca sem cirurgia
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sexta-feira, 05 de março de 2004
Agência Estado 
Rio- Uma técnica inovadora para o tratamento de arritmia cardíaca está atraindo pacientes para o Rio de Janeiro. Desde novembro do ano passado cerca de 20 pessoas se submeteram à ablação por radiofrequência no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na zona sul da cidade.
De acordo com o cardiologista Eduardo Saad, que trouxe a técnica dos Estados Unidos para o Brasil, o hospital é o único na América do Sul equipado para fazer o procedimento - sem cortes, um cateter guia o médico na localização das partes doentes do coração.
A fibrilação atrial é o tipo mais comum da arritmia. A taquicardia inesperada é o principal sintoma da doença, causada pela atividade elétrica indevida de algumas regiões do coração. Saad explica que o tratamento tradicional, baseado em medicamentos, tem eficácia de apenas 50% e obriga o paciente tomar anticoagulantes para sempre.
A ablação, uma espécie de cauterização da região do coração causadora da fibrilação, feita com cateteres, aumenta as chances de cura para 80%. Em vez de fazer um ecocardiograma comum, o equipamento do hospital faz um exame intracardíaco, proporcionando ao médico uma visão de dentro do coração para fazer as cauterizações. Tudo sem bisturi e com anestesia local, sedação leve e apenas um dia de internação.
''A grande diferença é a taxa de sucesso. A tecnologia torna o procedimento mais seguro e eficaz, já que com uma câmera dentro do coração aumentam as chances de dar certo. O diferencial de ter esse equipamento é poder atender a todas as necessidades do paciente com fibrilação num só lugar, com o mesmo nível dos centros internacionais'', diz Saad.
A experiência do Serviço de Arritmia e Estimulação Cardíaca Artificial do Pró-Cardíaco tem atraído pacientes de várias partes do País e até estrangeiros. Há duas semanas o empresário americano James Bickham, de 54 anos, veio ao Rio para se submeter ao procedimento. Apesar de a técnica já ser difundida nos Estados Unidos, ele não tem seguro de saúde e, beneficiado pelo câmbio, sentiu que valia a pena entrar num avião e fazer o tratamento no Rio. O custo ficou quatro vezes menor no Brasil.
A fibrilação atrial é uma doença que atinge pessoas de todas as idades, mas é mais comum nos idosos.


