Hospital do Câncer começa a produzir biochip
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Cristina Charão, especial para a AE 
São Paulo, 13 (AE) - O Hospital do Câncer de São Paulo é o primeiro centro de pesquisa capaz de produzir biochips na América Latina. Em associação com o Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, o hospital inaugurou hoje os novos equipamentos do Laboratório de Genoma Funcional, que produzirá biochips de alta densidade, capazes de sequenciar até 10 mil genes simultaneamente. O biochip, ou microarranjo de DNA, é uma pequena lâmina de vidro sobre a qual são imobilizados marcadores moleculares, sequências de DNA responsáveis por alguma função ou disfunção da célula.
A inauguração contou com a presença do governador Mário Covas e do secretário da Saúde do Estado, José da Silva Guedes. Com a instalação do robô Flexys e o início da produção, os médicos e pesquisadores do Projeto Genoma Humano de Câncer, coordenado pelo Instituto Ludwig, passam imediatamente a pesquisar sequências específicas de genes de vários tipos de tumores em diferentes estágios de desenvolvimento. O coordenador do Laboratório de Genoma Funcional do instituto, Luiz Fernando Reis, espera que em dois ou três anos os biochips produzidos no Hospital do Câncer possam ser usados em diagnósticos.
O biochip funciona como um negativo fotográfico: em contato com o material genético isolado do paciente, tingido por uma substância luminosa, os marcadores moleculares reagem; em seguida, um scanner especial revela os pontos luminosos que acusam a presença ou não de um determinado gene no tecido estudado. Os biochips que serão produzidos pelo Hospital do Câncer serão compostos com marcadores de tecidos normais e cancerosos, acelerando o mapeamento dos genes.
A identificação das sequências genéticas de diferentes tipos de tumor será feita comparando os genes já sequenciados pelo projeto Genoma-Câncer e as amostras de biópsia armazenadas pelo hospital. Identificados os genes, pode-se produzir microarranjos específicos para cada tipo de câncer, capazes de diagnosticar a presença de indicadores de anomalias antes mesmo do surgimento do tumor. Em pacientes em que o câncer já foi diagnosticado, o exame com o uso do biochip permite medir a agressividade e as características individuais do tumor, dando ao médico informações para um tratamento mais específico e eficiente. "Os tipos de câncer que afligem a população brasileira são diferentes do resto do mundo, por isso é importante pesquisar e produzir o biochip aqui", diz Reis.
Nova UTI - Na mesma solenidade, o hospital inaugurou a nova unidade de tratamento intensivo (UTI), ampliando de 9 para 13 o número de leitos, o que aumenta a capacidade de realização de cirurgias. A concepção arquitetônica da UTI tem o objetivo de humanizar o atendimento aos pacientes, porque permite que médicos e enfermeiros não deixem a unidade para realizar procedimentos como dosagem de remédios ou limpeza de utensílios.


