Hospital de Londrina tem pediatria limitada
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sábado, 27 de junho de 1998
Luciane Tonon 
Dezenas de crianças deixaram de ser atendidas no hospital da Zona Norte de Londrina ontem por falta de um pediatra de plantão. Há meses, o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) abriu contratação para pediatras, mas os candidatos para as três vagas existentes não apareceram.
Uma placa na portaria, avisa sobre a falta de pediatra. Pelo menos 15 pessoas ligaram ontem pela manhã para uma emissora rádio da cidade reclamando da situação.
O hospital tem quatro profissionais da área e precisa de no mínimo oito. Cada um dos quatro está fazendo plantão de 12 horas e chegam a atender 60 crianças cada. Essa escala supre apenas plantões da metade do mês. No restante, temos que dispensar pacientes, informou o diretor Clínico Carlo José Caviglione.
Segundo ele, esta semana mais um pediatra da equipe pediu demissão. Como o trabalho aqui está puxado demais e outros plantões pagam melhor, eles preferem deixar o hospital, explicou Caviglione.
É difícil chegar aqui, com a criança passando mal, ver uma placa como esta e ninguém pode fazer nada para ajudar, disse a dona de casa Marli dos Santos, 32 anos. Ela levou o filho que está com dores abdominais. Já a professora Sônia Alves teve que levar a filha com pneumonia para o hospital da Zona Sul. Só depois que ela foi atendida no Hospital da Zona Sul é que encaminharam para ser internada no Hospital da Zona Norte, disse.
Nesta época de inverno, o diretor clínico diz que o atendimento chega a aumentar 30%. No último mês aumentamos de 6 mil para 9 mil consultas/mês. Uma média de 320 pessoas por dia. Para Caviglione, este quadro só vai ser revertido a partir do momento que os diversos segmentos da saúde se ajudarem nas escalas de plantão. Por algumas radicalidades de grandes hospitais, o setor secundário acaba sofrendo muita demanda, comentou.


