Hospital de Campanha do Pacaembu encerra atendimentos em SP


ALFREDO HENRIQUE
ALFREDO HENRIQUE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Hospital de Campanha do Pacaembu (zona oeste de SP) encerrou o atendimento a pacientes com Covid-19, após dar alta às duas últimas pessoas internadas na unidade, na manhã desta segunda-feira (29), que saíram do local aplaudidas. O local tinha 200 leitos.

O local foi o primeiro a entrar em funcionamento na capital paulista, em 6 de abril. Até está segunda, de acordo com a secretaria de Saúde, foram realizadas 1515 internações, com 1219 altas e 293 transferências, além de três mortes provocadas pelo novo coronavírus.



O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), afirmou que 53% dos 1340 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), disponíveis na cidade, estão ocupados. Na rede pública, há ocupação de 49% e na rede privada, contratada pelo governo municipal, 73%.

Esses dados, acrescentou, tranquilizam a prefeitura em interromper os atendimentos no Hospital do Pacaembu. "A curva [de casos] não aponta a necessidade de manter o hospital de campanha. Nenhum dado deixa a prefeitura preocupada", afirmou o tucano em coletiva de imprensa.

Os doentes foram assistidos por 588 profissionais, resultando em 43.985 exames laboratoriais, 939 tomografias computadorizadas e 192 exames de ultrassonografia.

Segundo o secretário municipal de Saúde Edson Aparecido dos Santos, todos os equipamentos do local serão desinfectados com radiação ultravioleta. Ele acredita que, até quinta-feira (2), a desinfecção seja feita e a estrutura montada no estádio comece a ser desmontada.

Ele acrescentou que vai se reunr com o prefeito Bruno Covas, até sexta-feira (3), para definir se irá manter disponíveis leitos de UTI da rede particular, contratados pela Prefeitura de São Paulo, para ampliar as vagas para eventuais pacientes infectados com o novo coronavírus. "Vamos observar os números [de infectados e internados pela Covid-19] para estudar a situação e tomar uma decisão", disse.

ÚLTIMOS PACIENTES

Sob aplausos, os dois últimos pacientes internados no Pacaembu saíram da unidade, em cadeiras de rodas, após vencerem o novo coronavirus.

Nilza Dantas Batista, 61, deu entrada em 22 de maio, permanecendo no local por quatro dias e sendo transferida, em seguida, ao hospital Santa Catarina, com o qual a prefeitura mantém parceria durante a pandemia.

A idosa retornou ao Pacaembu no último dia 5, permanecendo no local até a manhã desta segunda, quando teve alta. Ela tocou um sino, instalado na saída da unidade, para marcar simbolicamente sua saída do hospital.

Logo atrás de dona Nilza, seguia o cozinheiro Nélio di Moura Moysés, 55 anos, também em uma cadeira de rodas. Ele ficou 57 dias internado, dos quais 20 no Hospital das Clínicas, onde acabou tendo um AVC (Acidente Vascular Cerebral), provocado por pressão alta.

Ele disse a reportagem que os únicos momentos em que sentiu medo foi quando percebeu estar sozinho, conforme constatava outros pacientes tendo alta. Segundo a prefeitura, o número de internações começou a cair na unidade, de forma expressiva, a partir de 1º de junho.

Neste período de isolamento, o cozinheiro sentiu muita falta da presença da família. "Gosto de estar perto do pessoal, assar uma carne, fazer uma feijoada para todo mundo comer junto", afirmo.

Quando soube que teria alta, se sentiu "maravilhoso". "Fiquei surpreendido ao ver tanta gente batendo palmas para mim, quando saí do hospital", revelou.



Agora que está finalmente em casa, na cidade de Suzano (Grande SP), ele pretende se recuperar das sequelas da Covid-19 e do AVC e, após isso, tentar se aposentar.

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