Hospital da Unicamp suspende consultas por causa de déficit
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 29 (AE) - O Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vai suspender na segunda-feira (03), por tempo indeterminado, o agendamento de novas consultas. A decisão vai atingir cerca de cinco mil pessoas que procuram a unidade a cada mês. De acordo com o superintendente do hospital, Paulo Eduardo Rodrigues da Silva, a medida é para enfrentar o déficit de R$ 8 milhões previsto para 99.
A falta de recursos vai obrigar o hospital, considerado de referência na região, a desativar na próxima semana a Unidade de Saúde Sexual, que atende cerca de 300 pessoas por mês. O setor faz exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis, inclusive aids, e oferece aconselhamento para os portadores do vírus HIV. Com as medidas anunciadas hoje a intenção é economizar cerca de R$ 3 milhões.
Por enquanto, segundo Rodrigues da Silva, o setor de pronto-socorro, que faz dez mil consultas/mês e responde por 50% das internações, não sofrerá cortes. Para reduzir a demanda, a superintendência tentará convencer as prefeituras da região a atender os casos menos graves no próprio município. "Se isso não acontecer o serviço no pronto-socorro também ficará comprometido", disse.
Atendimento - A restrição às consultas, de acordo com o superintendente, não afetará os agendamentos realizados até amanhã(30) nem os retornos já programados. "Só não poderemos marcar novas consultas", explica. O HC registra, em média, 40 mil consultas por mês. Desse total, 25 mil são retornos, 10 mil são atendimentos de urgência e cinco mil referem-se a pacientes que procuram o hospital pela primeira vez. A unidade dispõe de 403 leitos e recebe pacientes de todo o interior de São Paulo e sul de Minas Gerais.
O suprintendente informou que a dotação orçamentária para o hospital esse ano será de R$ 100 milhões, mas as despesas previstas chegam a R$ 108 milhões. Desse total, 62% estão comprometido com a folha de salários dos 3.100 funcionários. "A demanda aumentou e os recursos diminuíram", diz Rodrigues da Silva. O número de exames de laboratório, por exemplo, em torno de 1 mil por mês em 1990 subiu para 2,5 mil este ano, enquanto as radiografias aumentaram de 60 mil para 120 mil por mês no mesmo período.
No ano passado a verba para custeio foi formada por R$ 13 milhões destinados pela universidade e R$ 35 milhões enviados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), totalizando R$ 48 milhões. Para esse ano, a previsão é receber R$ 11 milhões da Unicamp e R$ 32 milhões do SUS, o que reduz os recursos totais para R$ 43 milhões. "Se as medidas adotadas não forem suficientes não poderemos descartar as demissões", disse Rodrigues da Silva.


