Rio, 07 (AE) - O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fechou hoje 67 de seus 586 leitos por causa do déficit da unidades, segundo o diretor Amâncio Paulino de Carvalho. Em março o déficit do hospital teria sido de R$ 750 mil. De acordo com dados apresentados em nota oficial pela direção, o HUCFF apresentou ao Sistema Único de Saúde (SUS) uma fatura de R$ 2,6 milhões referente a esse mês, mas recebeu apenas R$ 1,85 milhão, teto do SUS. O problema repetiu-se em abril, quando o déficit foi, segundo a direção, de R$ 490 mil.
"Diante desse déficit mensal caminharemos inexoravelmente para a falência em alguns meses", afirma o diretor no documento. Foram interrompidos hoje os serviços de cirurgia geral, ortopedia e ginecologia feitos no posto 11A dos HUCFF. Um posto de clínica médica está fechado desde fevereiro para obras.
Cirurgias - Outra medida tomada pela direção do hospital será estabelecer cotas mensais para cirurgia que envolvam serviços de alto custo, como próteses. Eles só poderão ser feitos dentro do limite do teto mensal da unidade. O objetivo imediato das medidas é reduzir a despesa do HUCFF para cerca de R$ 1,7 milhão.
"Estamos certos de que esta crise é passageira, e a resolveremos, mas isso não reduz nossa responsabilidade no momento: evitar a falência do HUCFF, pois esta afetará gravemente, e de maneira linear, a qualidade de nossa atenção à saúde, ao ensino e à pesquisa", diz o diretor. O HUCFF fez, de acordo com informações passadas pela direção da unidade, 772 cirurgias e 1.430 internações em março deste ano.
Autonomia - Amâncio Paulino de Carvalho e o reitor da UFRJ, José Henrique Vilhena, marcaram para quarta-feira uma entrevista coletiva, na qual serão discutidos projetos para tentar resolver a crise financeira por que passa a universidade e o HUCFF. Serão discutidas, entre outros pontos, a questão da autonomia universitária e as dívidas da UFRJ.

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