Hospital da PUC/RS consegue recuperar nervo
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sexta-feira, 04 de março de 2005
Elder Ogliari<br>Agência Estado 
Porto Alegre - Uma equipe do Hospital São Lucas, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, fez uma cirurgia inédita de aplicação de células-tronco retiradas de medula óssea em nervos periféricos (fora da coluna) e obteve resultados animadores. O paciente, que havia rompido um nervo do antebraço, próximo ao pulso, voltou a movimentar os dedos um mês e meio depois da intervenção. ''Antes, isso levava seis meses'', comparou o cirurgião Jefferson Braga Silva, ao apresentar o trabalho à imprensa, ontem, em Porto Alegre.
''Agora podemos aplicar a mesma solução a pacientes com as mesmas características'', anunciou a médica Denise Machado, da equipe de pesquisa em células-tronco, feliz com a perspectiva de oferecer uma alternativa mais eficaz para a solução de um problema que gera uma média de três internações por semana no hospital.
A cirurgia foi feita no início de fevereiro num paciente de 22 anos, do interior do Rio Grande do Sul, cujo nome não foi divulgado pelos médicos. Num acidente com vidro, o jovem seccionou um nervo. Nestes casos, quanto mais demorar a procura por atendimento médico, menores são as chances de recuperar tanto o nervo quanto os movimentos.
Pela técnica anterior, as extremidades rompidas voltavam a crescer dentro de um tubo de silicone implantado pelos médicos, recompondo as substâncias perdidas. ''Os resultados eram bons, mas, apesar da reconstituição do nervo, havia dificuldades para a recuperação funcional, da sensibilização e da motricidade'', relata Silva.
Na nova técnica, os médicos retiraram material da crista ilíaca, localizada na bacia, separaram as células-tronco em laboratório para injetá-las dentro do tubo de silicone que fazia a ponte entre as extremidades rompidas. Até chegar à primeira experiência em humanos, a equipe do Centro de Terapia Celular do Instituto de Pesquisas Biomédicas (IPB) do Hospital São Lucas passou cinco anos fazendo pesquisas.
A primeira tentativa de retirada e aplicação em seres vivos foi feita com ratos, há dois anos. A recuperação de todos os movimentos da perna de um animal que estava impedido de andar foi o prenúncio de que a técnica poderia beneficiar os humanos.
Outro aspecto animador da técnica desenvolvida na PUC é o custo, considerado pequeno - cerca de R$ 1 mil para a retirada e implantação das células-tronco - pelo diretor do IPB, Jaderson Costa da Costa.


