Hospital atendeu 108 casos de abuso sexual em nove meses
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de maio de 2003
Candice Dequech<br> Equipe da Folha 
Curitiba - De abril de 2002 a dezembro do mesmo ano, o Hospital Pequeno Príncipe, centro de referência em Curitiba para o atendimento de suspeitas de abuso sexual infanto-juvenil, atendeu 108 casos de abuso sexual. O hospital, que prepara uma atualização dos números, presta atendimento humanizado e integral às vítimas, incluindo o acompanhamento clínico, psicológico e de reinserção social.
Segundo a psicóloga Daniela Prestes, cerca de 63% dos casos que o hospital atende ocorrem dentro da própria família. Os agressores são, na maioria, pais e padrastos e as vítimas não são apenas do sexo feminino. ''Nesta semana eu atendi um menino de cinco anos de idade que havia sido estuprado por seu avô'', contou a psicóloga. Casos como este fazem parte da rotina do hospital, que conta com uma equipe formada por pediatras, psicólogas, assistentes sociais, além de órgãos governamentais e conselhos tutelares, como a Secretaria de Saúde de Curitiba, a Delegacia da Mulher, o Instituto Médico Legal (IML), postos de saúde, e região metropolitana.
O primeiro contato com a vítima, seus familiares e acompanhantes, é feito pela psicóloga e por assistentes sociais que acolhem a criança e entrevistam parentes para saber como a família é organizada e se a criança está exposta a situações de risco social. O IML é acionado, através da Delegacia da Mulher, para que compareça ao hospital para examinar a criança violentada. Se o caso for confirmado, a criança é internada, por um período aproximado de cinco dias, e medicada para evitar a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis e HIV.
Entre as consequências físicas, há desde lesões nos órgãos genitais à infecção de doenças incuráveis, como o HIV. Segundo a psicóloga, as implicações psicológicas podem ser muito variadas: angústia, insegurança, desconfiança, problemas de desenvolvimento da sexualidade, dificuldades de aprendizagem, tendências à prostituição e ao suicídio.
Amanhã é Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto Juvenil. Entidades ligadas à área organizam em todo o Brasil uma campanha de conscientização. O Paraná ocupa o quinto lugar no ranking da violência sexual infanto-juvenil do Brasil.


