Hospital aciona Justiça para garantir equipamento
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segunda-feira, 27 de junho de 2011
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
Londrina - O jovem Alexandre Paulo da Silva, de 19 anos, deu entrada no Hospital Evangélico (HE) de Londrina com quadro de pneumonia há exatamente um ano e três meses. Desde então, ocupa um leito na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele é portador de paralisia cerebral desde o nascimento e, por isso, não anda nem fala. A pneumonia agravou ainda mais a situação de Alexandre, que hoje depende de um aparelho para respirar.
A família não tem condições de adquirir o equipamento de respiração, o bipap, cujo valor gira em torno de R$ 20 mil. Alexandre é sustentando pela mãe Eliene Pereira da Silva, 41, que tem ainda outras duas filhas mais novas. O sustento da família vem da venda de latas de alumínio, que Eliene recolhe pela cidade.
Para receber o aparelho do município, o serviço social do Hospital Evangélico pediu o apoio do Ministério Público, que entrou com uma ação contra o poder público no dia 15 de abril. A liminar, que concede o benefício solicitado foi concedida no dia 26 do mesmo mês. No entanto, até o momento a situação de Alexandre continua a mesma.
''Infelizmente, a decisão da Justiça não acelerou os procedimentos. A família aguarda ansiosa pela chegada do aparelho'', afirmou Carmem Turri, assistente social do HE.
''Não vejo a hora de levar o meu filho para a casa. Apesar dos problemas, Alexandre é bem-humorado. É a alegria da nossa família'', disse Eliene, lembrando que antes da pneumonia o filho frequentava a escola convencional e também o Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece).
O diretor-executivo da Secretaria de Saúde, Márcio Nishida, disse que o município já recebeu o aparelho. ''O equipamento está na Diretoria de Serviços Auxiliares (DSA) e a família vai recebê-lo até o final desta semana'', garantiu.
Segundo ele, o Serviço de Internamento Domiciliar (SID) está com o atendimento suspenso para novos casos devido à falta de profissionais. A situação será regularizada somente quando houver contratação de uma nova equipe. A família de Alexandre, amparada por decisão judicial, receberá treinamento do órgão para que possa manusear o equipamento.
''Tentamos resolver o caso de Alexandre no âmbito administrativo, mas não surtiu efeito. Quando as possibilidades se esgotam, precisamos acionar a Justiça'', justificou o promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, ressaltando que ingressar com ações judiciais contra o poder público já se tornou uma rotina. Somente este ano, são aproximadamente 40. ''A maioria dos casos é para conseguir medicamentos de alto custo'', revelou.
No final da tarde de ontem, Tavares recebeu um comunicado da coordenação do SID reforçando o compromisso de entregar o aparelho e iniciar o treinamento da família até o final da semana. ''Se não cumprirem com o prazo, vou complementar o pedido por meio de uma petição'', informou o promotor.


