Os recursos para atendimento no setor de saúde em Londrina estão defasados em pelo menos 30%, o que representa um déficit entre R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões por mês. A estimativa é do presidente do Sindicato dos Hospitais de Londrina e região, Fahd Haddad. ''O teto do município hoje está em torno de R$ 8 milhões para pagar todos os serviços hospitalares e ambulatoriais de todos os hospitais da cidade, e o grande problema é que este teto está aquém das necessidades'', afirma Haddad.
Segundo ele, o aumento deste teto é necessário do ponto de vista contábil para equilibrar as contas dos hospitais e não prejudicar o atendimento aos pacientes. ''O aumento de teto é uma necessidade real porque não tem como você gastar R$ 10 milhões ou 12 milhões por mês e só receber R$ 8 milhões; matematicamente nunca vai fechar essa conta e aí começa a limitar o atendimento, o que não pode acontecer''.
O presidente do sindicato disse que iria levar o assunto ao conhecimento do superintendente da Autarquia Municipal de Saúde, Aparecido José Andrade, para que o pedido seja encaminhado ao governo do Estado e ao governo Federal.
Haddad faz questão de esclarecer que o pedido de aumento de teto para o município não tem nada a ver com o reajuste dos serviços prestados pelos hospitais. ''O reajuste de tabela é outro assunto. Só para se ter uma idéia, o orçamento do Ministério da Saúde deveria ser o dobro do que é hoje para atender a demanda nacional, segundo membros do próprio governo; mas infelizmente não há esse dinheiro''.
O médico afirma também que o problema poderia ser resolvido, ao menos em parte, com a regulamentação da emenda constitucional 29, que fixa critérios para investimentos no setor. De acordo com a emenda, ao menos 15% da receita do município, 12% da receita do Estado e 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do País devem ser aplicados na área de saúde. ''Se a emenda for aprovada, ela vai aumentar, de imediato, em mais de R$ 5 bilhões o orçamento da União para a saúde; essa é uma luta nacional de todas as entidades de saúde para regulamentar a emenda e organizar o sistema, visando uma melhor distribuição do teto financeiro''.
Apesar da defasagem financeira, Haddad acredita que o Brasil tem um dos melhores e mais bem estruturados sistemas de saúde do mundo. ''O SUS tem apenas 20 anos e é um processo em construção; o aumento de recursos deve ser a bandeira para que a gente possa trabalhar dignamente e oferecer um serviço digno a 140 milhões de pessoas que são atendidas por este sistema''.

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