Mais de 33 mil pessoas são internadas em hospitais psiquiátricos todos os anos no Paraná. Para procurar se adaptar à nova lei federal que prevê o fim dos manicômios no País, o secretário de Saúde do Estado, Armando Raggio, anunciou ontem a criação de um programa estadual de saúde mental para diminuir o número de internamentos nos 19 hospitais psiquiátricos do Paraná. O programa só deve começar a ser implantado a partir do mês que vem.
Dados do Ministério da Saúde mostram que 12,54% do total de internações hospitalares pagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná, entre 93 e 97, são de pessoas com problemas mentais. Para Raggio, o novo programa, batizado de ‘‘Saber Viver’’, vai incentivar o tratamento extra-hospitalar e procurar formas de ressocialização dos pacientes. Entre as alternativas apresentadas para combater o preconceito sobre o assunto, estão o treinamento de um grupo de voluntários, com líderes comunitários, que serão multiplicadores de informações.
A Secretaria de Saúde deve criar ainda equipes de saúde mental comunitárias e reforçar o atendimento nas unidades especializadas de tratamento. O reforço deve começar por regiões com mais problemas no tratamento de doenças mentais, como o Sudoeste, Norte Pioneiro e Noroeste. ‘‘São lugares mais distantes, com uma estrutura muito aquém da necessária’’, afirma Raggio.
Para o programa, a secretaria não deve receber recursos extras do governo federal. De acordo com Raggio, o Paraná recebe cerca de R$ 41 milhões por ano na área de saúde mental. A mesma verba deve ser readaptada para o programa a ser implantado. (Ellen Taborda)

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