Hospitais protestam em Brasília
Agência Estado
De Brasília
Depois da manifestação dos ruralistas e da Marcha dos Cem Mil, há quase um mês, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, será ocupada amanhã por representantes de hospitais, médicos e secretários de Saúde. Apoiados por deputados da Frente Parlamentar de Saúde, eles prometem reunir mais de 3 mil manifestantes num ato que vai até quinta-feira, pelo aumento da tabela do governo usada para pagar os serviços médicos prestados à população e com o objetivo também de pressionar pela aprovação, no Congresso, de propostas de financiamento estável do setor.
Os participantes da mobilização, principalmente os donos de hospitais, defendem um reajuste de 90% na tabela, 40% imediatos e outros 60% aplicados de forma diferenciada. Todos os hospitais, sejam eles públicos ou privados, estão com dificuldades porque têm sido obrigados a demitir pessoal, reduzindo, assim, a qualidade do serviço, diz o superintendente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, José Spigolon.
O secretário-geral do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, Elias Rassi Neto, explicou que os secretários estão mais preocupados com a aprovação de emenda instituindo fonte de financiamento definitivo para a saúde. As duas emendas têm o mesmo objetivo, o de fixar porcentuais dos orçamentos federal, estadual e municipal destinados exclusivamente ao custeio dos serviços públicos de saúde. Segundo Rassi Neto, a idéia é a de que os Estados atinjam, progressivamente, o gasto de 10% das receitas com o setor.
Embora o Ministério da Saúde apóie de forma velada a manifestação, não vê como conceder o reajuste reivindicado. Mas os donos de hospitais estão certos de que a pressão pode resultar em benefícios. Os deputados que também são médicos prometem promover uma vigília na Esplanda dos Ministérios, com direito a plantão médico-noturno, na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, onde despacha o presidente Fernando Henrique Cardoso.





