Londrina - Enquanto a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) ameaça descredenciar hospitais que não realizam uma meta de cirurgias bariátricas por mês, os hospitais - a maioria deles vinculados a instituições de ensino superior - reclamam da falta de estrutura, que impossibilita a realização das cirurgias em grande escala.
Poucos centros cirúrgicos, falta de anestesistas e demora na realização de consultas pré-cirúrgicas são as queixas mais recorrentes entre os cirurgiões de diferentes hospitais do Estado entrevistados pela FOLHA. Eles afirmam que a maior demanda dos hospitais é de cirurgias de urgência e emergência, deixando as eletivas em segundo plano.
No Paraná 13 hospitais possuem habilitação para desenvolver o procedimento de gastroplastia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Destes hospitais, sete ficam em Curitiba ou na região metropolitana e outros seis se dividem nas cidades de Londrina (que conta com duas unidades credenciadas), Maringá (Noroeste), Cascavel (Oeste), Pato Branco (Sudoeste) e Paranavaí (Noroeste).
De acordo com o superintendente de Gestão de Sistemas de Saúde da Sesa, Paulo Almeida, alguns hospitais realizam menos cirurgias do que o que preconiza o Ministério da Saúde. Por conta disso, o Estado determinou um prazo de três meses para que situação fosse regularizada. ''A partir de fevereiro de 2012 aqueles que não alcançarem a meta mínima de oito cirurgias por mês correm o risco de serem desabilitados'', disse.
Um hospital da Capital não atendeu nenhum paciente de cirurgia bariátrica em 2010. ''No ano passado, o Hospital das Clínicas de Curitiba realizou duas cirurgias, o Hospital Universitário de Maringá fez seis e o Hospital Universitário de Londrina atendeu 21 pacientes neste procedimento'', apontou. O hospital que mais fez cirurgias no estado foi o Angelina Caron, de Curitiba, com 949 cirurgias, seguido pela Santa Casa de Curitiba, que fez 638 cirurgias em 2010.
Almeida explicou que a proposta da Sesa é credenciar o serviço em outros hospitais que tenham interesse em realizar esse procedimento. Segundo ele, hospitais em Umuarama (Noroeste), Guarapuava (Centro-sul) e Campo Largo (Região Metropolitana de Curtiba) já estão com os processos de habilitação encaminhados. ''A ideia é localizar melhor e habilitar novos serviços em substituição aos que hoje tem baixa produtividade'', afirmou.
A fila de espera dos pacientes é organizada em cada hospital. Segundo Almeida, o Estado planeja fazer uma fila única para que a regulação seja mais efetiva. ''Estamos licitando um sistema de regulação que vai abranger exames, consultas e o procedimento cirúrgico'', explicou. Ele afirmou que atualmente as regiões Oeste e Noroeste do Estado apresentam maior tempo de espera pelo procedimento.
O custo de cada cirurgia para o Estado gira em torno de R$ 5.600. O valor envolve, além do procedimento cirúrgico, o acompanhamento pré e pós-operatório. ''Até a necessidade de realizar cirurgias plásticas reparadoras no futuro estão incluidas no atendimento do SUS e neste valor'', explicou. De acordo com números da secretaria, no primeiro semestre de 2011 foram realizadas 1011 cirurgias bariátricas e o investimento estadual foi de R$ 5.649.658,04.

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