Na visão de Luiz Soares Koury, é preciso mais investimento para aumentar o número de leitos. Ele cita que em Londrina, por exemplo, as vagas são insuficientes e a situação é grave, já que a demanda sempre aumenta e os leitos, não. "No HE, onde temos dez leitos, sempre há 12, 14 e até 18 internados. Normalmente a nossa média mensal é de 14 pacientes, ou seja, sempre acima do máximo", exemplifica o presidente da Femipa, que também é diretor do Hospital Evangélico (HE) de Londrina.
Visão parecida tem Gilberto Pascolat, presidente da Associação Paranaense de Pediatria e chefe de Pediatria do HE de Curitiba. Ele entende que há uma concentração grande de leitos nas maiores cidades paranaenses e há a necessidade de uma descentralização.

Demanda crescente
Com as novas tecnologias, bebês prematuros que há alguns anos não sobreviveriam hoje têm a chance de viverem. "Bebês com 300, 400 gramas têm chances de vida, mas vão ter que ficar muitos meses em uma UTI. A tecnologia proporciona mais vida, mas com isso a demanda por leitos aumenta. No HE temos 25 leitos e todos os dias eles estão lotados. Diariamente temos que transferir bebês para outros hospitais para abrirmos vagas para casos mais graves", relata Pascolat.
Para a abertura de mais vagas é preciso investimento, já que os hospitais não têm recursos para novas construções, para a compra de equipamentos e, principalmente, para a manutenção das UTIs. Uma UTI de nível III, a mais complexa na tabela do SUS, recebe R$ 430 por diária. "Que hotel oferece, por este valor, cama, roupa, assistência médica, materiais, medicamentos, equipamentos, equipe de higiene e cinco refeições por dia?", questiona Koury. "E que ainda aceita esperar quatro ou cinco meses para receber sem cobrar juros? A situação só vai melhorar se tivermos aumento nos repasses e pontualidade nos pagamentos." (L.F.C.)

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