Hospitais filantrópicos cobram mais investimento no SUS
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quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina A Santa Casa e o Hospital Evangélico de Londrina participaram ontem do manifesto "Luto pela Saúde", uma paralisação nacional para cobrar soluções do governo federal para a crise da saúde. Hospitais filantrópicos de todo o País aderiram ao movimento e suspenderam o atendimento eletivo.
Os profissionais da saúde e dos setores administrativos usaram preto em sinal de luto pela crise no setor. Calcula-se que a dívida das Santas Casas do Brasil chegue a R$ 15 bilhões. Em Londrina, a Santa Casa manteve o atendimento tanto eletivo como emergencial. O Evangélico realizou apenas procedimentos de urgência, mas informou que somente duas cirurgias eletivas foram remarcadas.
A ideia de suspender o atendimento por um dia surgiu no último Congresso da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Brasil (CMB), realizado em agosto em Brasília.
A crise do setor filantrópico atinge diretamente os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Os hospitais filantrópicos são responsáveis por 50% dos atendimentos e por 70% dos procedimentos de alta complexidade do SUS no País.
De acordo com o superintendente da Santa Casa de Londrina, Faad Haddad, os custos de operação têm aumentado, mas os repasses não, o que leva a um subfinanciamento do sistema de saúde. "As entidades precisam recorrer a empréstimos bancários para pagar os fornecedores. E o dinheiro que poderia ser utilizado para investimento vai para amortizar os juros bancários", informou.
Uma das reivindicações da CMB é que sejam investidos 10% do orçamento do governo federal, algo em torno de R$ 40 bilhões, na saúde e que os atuais financiamentos sejam transferidos para bancos públicos, com juros subsidiados. Atualmente, o Brasil investe 4% do orçamento federal no setor.
No âmbito estadual, a Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Paraná (Femipa) entregou ontem um documento aos candidatos a governador solicitando medidas para amenizar a crise. "Um dos pedidos é a redução do ICMS, hoje de 30%, em contas de água, luz e telefone. Em vários Estados os hospitais já são isentos desse imposto. Outra medida importante seria a criação de uma linha de crédito para subsidiar a compra de equipamentos, além do Estado completar a tabela do SUS, que hoje representa apenas 60% do custo de um procedimento", frisou Haddad.
Já em relação ao município, a luta dos hospitais filantrópicos é pelo aumento do teto financeiro do repasse do Ministério da Saúde e para a renegociação das dívidas. "O deficit mensal de todos os hospitais de Londrina é de R$ 2 milhões. Só a Santa Casa tem R$ 6 milhões para receber da prefeitura. Os hospitais filantrópicos estão no limite e se não houver medidas urgentes vai continuar acontecendo o que vemos diariamente: notícias de hospitais fechando as portas em diversas regiões do País", destacou Faad Haddad.
A Santa Casa de Londrina tem uma dívida total de R$ 30 milhões, entre financiamentos bancários e fornecedores.


