Hospitais federais do Rio serão administrados por consórcio
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de outubro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 25 (AE) - Os hospitais federais do Rio deverão ser administrados por um consórcio entre a União, o Estado e o município. Hoje, o ministro da Saúde, José Serra, reuniu-se com o governador Anthony Garotinho (PDT) e com o prefeito do Rio, Luís Paulo Conde (PFL) e ficou definido que, dentro de um mês, uma comissão, formada pela coordenadora dos hospitais federais no Estado, Ana Tereza da Silva Pereira, os secretário estadual e municipal da Saúde, respectivamente Gilson Cantarino e Ronaldo Gazzola, vai apresentar um modelo para o consórcio.
Segundo Serra, a idéia é dividir a administração dos 11 hospitais federais do Rio - ele citou 12, mas um foi municipalizado - com o Estado e o município. "Temos interesse em compartilhar a administração, os destino e a qualidade do atendimento, sem diminuir um centavo do que o ministério destina a esses hospitais e, se possível, até investindo mais", afirmou. Atualmente, o ministério gasta R$ 250 milhões por ano com as unidades do Rio.
O ministro disse que o problema dos hospitais federais do Rio não é falta de dinheiro, mas a dificuldade administrativa. "Temos de otimizar esses recursos, mas não podemos nem investir, porque não podemos sequer contratar pessoal", afirmou. "É irracional abrir concurso para um médico que vai ganhar pouco e reproduzir o atual sistema". Serra referia-se ao fato de que, por causa dos baixos salários, há evasão de profissionais de saúde e o ministério está impedido por lei de repor as vagas.
Por isso, ele defendeu a proposta de que o consórcio vire, na verdade, uma fundação, que tem liberdade para contratar pelo regime celetista. "A fundação seria o melhor caminho para não repetir o círculo vicioso causado pelo salário vil", concordou Conde. Segundo Serra, o Estado e o município terão papel dominante na administração dos hospitais. "A única coisa que eu quero é hospital funcionando direto e o ministério dando os recursos", apontou. O ministério ficaria administrando diretamente apenas o Instituto Nacional do Câncer (Inca), considerado por Serra o melhor em sua especialidade. Convênios - Hoje, o ministro assinou um convênio com o governo do Estado para capacitar e reciclar os municípios a executar ações de Vigilância Epidemiológica. Pelo convênio, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) vai repassar R$ 840 mil à Secretaria Estadual de Saúde e o Estado, R$ 168 mil.


