Rio, 29 (AE) - Os hospitais estaduais do Rio enfrentam uma crise por falta de médicos desde o fim da terceirização dos serviços, no início do mês. O problema ocorrido no Hospital Getúlio Vargas ontem (28), quando um terço dos 20 profissionais faltou ao plantão e os atendimentos foram reduzidos pela metade, vem repetindo-se em outras unidades como os Hospitais Carlos Chagas, em Marechal Hermes (também na zona norte), Alberto Schweitzer, em Realengo, e Pedro II, em Santa Cruz (os dois últimos na zona oeste), segundo informaram hoje diretores e funcionários.
Nestes hospitais, parte dos funcionários é estatutária (contratada pelo Estado) e parte, cooperativada. Estes últimos estão sem salário (alguns, desde dezembro e outros, com atraso de um mês) e não sabem como ficará a situação. As cooperativas a que pertencem prestavam serviço aos consórcios responsáveis pela administração, cujo contrato com o Estado foi rompido no dia 4. Até agora, os médicos não sabem se continuarão trabalhando ou não.
Hoje, o governador Anthony Garotinho (PDT) acusou os médicos faltosos de "tentar mostrar que hospitais públicos não funcionam, são uma bagunça".
Ele reafirmou que a terceirização não volta, prometeu pagar os cooperativados, mas não falou se eles continuarão nos hospitais nem qual será o vínculo empregatício.
Os diretores dos hospitais não sabem informar a proporção de médicos estatutários e cooperativados, levantamento pedido hoje pela Secretaria de Saúde. Normalmente, há uma equipe de plantão para cada dia e a distribuição dos médicos de acordo com o regime de trabalho é variável. Na equipe que tinha plantão no Getúlio Vargas ontem, havia 20 médicos, dez deles cooperativados e seis faltaram, prejudicando o atendimento que foi de 332 casos, quando o normal é 700, segundo informou a diretora Silene Bezerra.
"O que temos feito é remanejar os plantões para não faltarem especialidades importantes", explicou a diretora-administrativa do Carlos Chagas, Fátima Cristina. No Pedro II, uma funcionária disse que o problema é mais grave porque vários médicos estatutários pediram demissão incentivada ou se aposentaram no governo e não houve novas contratações. "É uma questão que não depende de nós, mas precisa ser revolvida logo", disse o vice-diretor do Alberto Schweitzer, Neilor Andrade. O único hospital sem problema é o Anchieta, no Caju, zona norte da cidade, onde não houve terceirização.
Hoje, a Secretaria Estadual de Saúde divulgou nota garantindo que pagou os cooperativados "há poucos dias", sem precisar a data. No entanto, os diretores dos hospitais negaram esse pagamento e o diretor-administrativo do Carlos Chagas durante o período em que o consórcio MPE era contratado, Antônio Alves, informou que a dívida do Estado com a empresa (que adminsitrava também o Getúlio Vargas) chega a R$ 12 milhões. "No Getúlio Vargas, eles estão devendo o pagamento do Sistema Único de Saúde (SUS) de agosto e de dezembro em diante e, no Carlos Chagas, eles não pagam desde outubro", informou Alvez. "Nos dois hospitais, eles não pagaram também a cota fixa, a partir de dezembro."

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