Londrina - Que os hospitais em Londrina atuam além da capacidade não é novidade. Mas os últimos dias têm sido desafiadores para os profissionais que atuam nos três maiores prontos-socorros da cidade. A causa? Os acidentes de trânsito.
De acordo com o coordenador regional do Siate, capitão Wilson Paulino, da última sexta-feira até domingo o serviço realizou 90 atendimentos, desse montante 73 estavam relacionados a acidentes de trânsito. ''Nossa média diária de atendimentos é de 22, na sexta-feira foram 33, no sábado 46 e no domingo 33'', afirmou ele, que não havia fechado ainda as estatísticas de segunda-feira.
O aumento no número de acidentes gerou um dos piores quadros de superlotação que os hospitais londrinenses enfrentaram neste ano. No pronto-socorro da Santa Casa, seis pacientes aguardavam vaga na UTI ontem. No Hospital Universitário, oito pessoas aguardavam vaga na UTI e 12, leitos na enfermaria.
Apesar de também enfrentar superlotação, a situação do Hospital Evangélico era um pouco melhor na tarde de ontem: quatro pacientes entubados aguardavam vagas na UTI.
De acordo com o superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, a superlotação do hospital ''já está virando rotina, pois casos graves não param de chegar e praticamente não tem onde por mais doente.'' ''Alguns são atendidos sentados em cadeiras, macas. Hoje nós tivemos que suspender três cirurgias, pois os equipamentos que seriam usados no pós-operatório foram usados no PS'', afirmou.
Segundo Haddad, a superlotação gera uma sobrecarga de estresse nos funcionários e pode atrapalhar o atendimento. Ele acrescenta que, além do aumento do número de acidentes nos últimos dias, outro fator que contribui para o crescimento da procura nos hospitais é o frio. ''Algumas doenças que atingem a parcela mais idosa da população neste período, como pneumonia, provocam aumento da procura.''
De acordo com o superitendente, a solução para o sistema depende de uma urgente redistribuição do atendimento. ''Oitenta por cento dos problemas de saúde da população poderiam ser prevenidos na atenção básica, nos postos de saúde. Outros 10% a 15% seriam resolvidos no atendimento de média complexidade e apenas 7% deveriam parar aqui na Santa Casa, que atende os casos mais complexos. Mas não é isso que se vê hoje'', lamentou.

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