Hospitais do SUS farão testes de aids em grávidas
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terça-feira, 19 de novembro de 2002
Sandra Sato<br> Agência Estado 
Brasília - Grávidas que não fizeram testes de aids e sífilis no pré-natal terão, pouco antes do parto em hospitais públicos, a chance para saber se estão com estas doenças. O ministro da Saúde, Barjas Negri, assinou ontem portaria para garantir testes de HIV e sífilis em hospitais do Sistema Único de Saúde que façam mais de 500 partos por ano. Os testes ficam prontos em 20 minutos.
Em caso positivo para aids, a mãe receberá durante seis meses leite em pó para alimentar o filho, tomará hormônio para secar o seu leite e coquetel de remédios para tratar a doença. O teste, a distribuição gratuita de leite e do remédio AZT fazem parte do Projeto Nascer, criado ontem por portaria, que visa reduzir a menos de 5% a transmissão do HIV de mãe para filho.
O tratamento de sífilis é mais simples, basta que a mãe, o pai e o recém-nascido tomem penicilina. Mas sem o tratamento, a criança poderá apresentar alterações neurológicas e cardíacas, cegueira e surdez. A sífilis também contribui para abortos e atinge cerca de 60 mil das 3 milhões de mulheres que, anualmente, dão à luz em hospitais públicos.
O coordenador nacional do programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, Paulo Teixeira, informa que há três chances de a mãe passar o vírus HIV para o filho: na gestação, no parto e na amamentação. ''Quanto mais precoce for o diagnóstico e o início do tratamento menor o risco de transmissão vertical de HIV'', adverte Teixeira. A possibilidade de transmissão é de 10%, quando o tratamento da mãe começa após o parto. O índice de contaminação do HIV é de 25% quando nada é feito.
O governo estima que sejam 17 mil gestantes com aids todo o ano. Atualmente, no entanto, o tratamento durante a gravidez alcança no máximo 6 mil mulheres. Segundo Teixeira, a falha ocorre por diversos motivos, desde falta de testes nas maternidades à demora das grávidas em buscar um acompanhamento médico durante a gestação.
O ministro informou que investirá R$ 17 milhões na compra de testes, hormônios, remédios e leite em pó. Entre eles, estão 300 mil testes rápidos anti-HIV, 10.320 ampolas de hormônios para inibir a amamentação e 210 mil latas de leite em pó. Com este programa, o ministro espera reduzir em 80% as novas transmissões de aids de mãe para filho, nos próximos seis meses.


