Curitiba Assim como em todo o País, no Paraná o sistema público de saúde começa a dar sinais de um possível colapso em curto espaço de tempo. O alto custo de manutenção dos hospitais e a falta de repasses do governo federal para pagar os procedimentos feitos através do Sistema Único de Saúde (SUS) estão levando muitas instituições a se descredenciarem, ou até mesmo a fechar suas portas. Não bastasse isso, a explosão do dólar no ano passado complicou ainda mais a vida de muitas casas hospitalares, já que os medicamentos e equipamentos são cotados na moeda americana.
Estimativa da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná (Fehospar) aponta que na última década o Paraná perdeu cerca de 100 hospitais credenciados ao SUS. Isso representou a perda de 10 mil leitos para internamentos.
Em 1997, o Paraná tinha 548 hospitais vinculados ao SUS, com 30.456 leitos credenciados, ou 3,33 para cada grupo de um mil habitantes. A média preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de três leitos para cada grupo de mil habitantes. Os leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) representavam 7,02 por grupo de 100 mil habitantes.
Em 2001, o Paraná reduziu o número de hospitais conveniados para 525, uma queda de 4%. Os leitos credenciados baixaram para 30.230, uma redução de 0,7%. Para o início de 2003, a estimativa da Fehospar é de cerca de 498 hospitais conveniados e menos de 29 mil leitos distribuídos pelo Estado.
Os leitos normais disponíveis à população paranaense somam 34.061, sendo 11.810 em Curitiba e região metropolitana (7.155 só em Curitiba). Os leitos em UTI somam 889, sendo 436 em Curitiba e municípios da região (338 só na Capital).
Considerando todas as empresas do setor de saúde, incluindo clínicas, laboratórios, bancos de sangue e hospitais, o Paraná conta com 3.249 empresas. Os hospitais privados com fins lucrativos e filantrópicos são responsáveis 75% dos atendimentos.
O secretário estadual de Sa© úde, Cláudio Xavier, disse ao assumir a pasta que a prioridade será regionalizar o atendimento no Estado e fortalecer os hospitais universitários e filantrópicos. Segundo Xavier, uma melhor organização dos hospitais mais importantes pode ajudar a compensar a falta de verbas e de pessoal.
A previsão para 2003 é que o orçamento da secretaria gire em torno dos R$ 250 milhões. ''É pouco dinheiro. Precisaríamos de pelo menos R$ 550 milhões. Vamos trabalhar para obter mais recursos em Brasília e também do Estado'', disse.
Ao fortalecer os hospitais em cidades-pólos, o secretário pretende acabar com o que classifica como um dos maiores problemas enfrentados na área da saúde. ''Atualmente, a solução para a maioria dos municípios é enfiar o paciente em uma ambulância e mandar para Curitiba. Um remanejamento estratégico pode aliviar o problema, reduzindo inclusive os gastos e evitando sobrelotação de leitos. O ideal não é que uma mesma região tenha dois hospitais que sejam referência em uma mesma área médica, e sim que haja um equilíbrio em todo o Estado'', afirmou.

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