Hospitais devem humanizar atendimento
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segunda-feira, 27 de outubro de 2003
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os 511 hospitais do Paraná devem adotar uma política de humanização da assistência hospitalar, interna entre os funcionários e médicos e externa no atendimento aos pacientes. Tratam-se de programas de treinamento para os funcionários de hospitais para melhorar a qualidade de atendimento sobre três dimensões: dos modelos de gestão, do desenvolvimento de tecnologias e da formação de profissionais que atuam no sistema.
Também faz parte do cronograma a criação de conselhos locais nos hospitais para acompanhar a prestação de contas, o desenvolvimento dos programas internos e incentivar a participação popular. ''Nós visamos melhorar o ambiente de trabalho dos funcionários e a qualidade de atendimento prestado. Isso reflete na diminuição do tempo de internamento dos pacientes devido à adesão maior e mais rápida aos tratamentos, e ainda no atendimento de mais pacientes'', disse o diretor de sistemas de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Mário Lobato.
Segundo ele, até ontem, cerca de 60 hospitais do Paraná, públicos e particulares, já haviam aderido ao novo programa. Em Curitiba, o Hospital de Clínicas e o Hospital Pequeno Príncipe são exemplos de que a nova política já tem surtido bons resultados. Ety Cristina Forte Carneiro, coordenadora de Relações Instituicionais do Hospital Pequeno Príncipe, que vem desenvolvendo programas que visam o atendimento mais humanizado há mais de 20 anos, conta que resultados como a adesão ao tratamento e a consequente diminuição do tempo de internamento já têm sido notados. ''Em 1982, quando implantamos o serviço de psicologia, começamos a perceber os resultados'', conta Ety Carneiro.
Um dos cerca de 20 programas desenvolvidos pelo hospital, o ''Um sorriso e muitos resultados'', por exemplo, consiste em palestras para funcionários, abordando questões éticas e filosóficas. Os funcionários também participam, em outro programa, de aulas de yoga para trabalhar a harmonia e a paz interior. Também recebem atendimento psicológico.
Ontem, no 1º Encontro de Humanização Hospitalar da Região Sul, promovido pelo Pequeno Príncipe, também estiveram presentes representantes de hospitais de outros estados, como Giovanni Di Sarmo, superintendente do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, que desde 2001, também já vem utilizando programas de humanização. ''Os 2.813 funcionários do hospital já estão sendo treinados. Também estamos prestando atendimento especial a mulheres vítimas de violência.''
O encontro, que termina amanhã, conta com a participação de cerca de 600 profissionais da área da saúde de diversos estados. A nova política de humanização está sendo debatida no país inteiro.


