Hospitais buscam saída para falta de insumos
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terça-feira, 29 de maio de 2018
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Representantes dos maiores hospitais de Londrina voltaram a se reunir nesta terça-feira (29) com a coordenadoria regional da Defesa Civil para discutir formas de garantir o abastecimento de medicamentos e insumos para os estabelecimentos de saúde durante a paralisação dos caminhoneiros. A reunião, realizada no Hospital do Câncer de Londrina, foi uma continuação do encontro que aconteceu na segunda-feira no Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) e, dessa vez, contou também com a participação de representantes dos fornecedores e das transportadoras.
"Oitenta por cento dos fornecedores que suprem os hospitais da cidade vieram à reunião. Tentamos ver se eles fazem uma logística de passar pelas barreiras em comboio, com o apoio da Defesa Civil e da Polícia Militar, porque uns têm conseguido passar, outros não. Precisa de uma organização para que a gente consiga ter suprimento", explicou o superintendente da Iscal (Irmandade Santa Casa de Londrina) e presidente do Sindicato dos Hospitais de Londrina, Fahd Haddad. Durante a reunião, acrescentou ele, foi discutida também a questão da liberação de combustível para as empresas que prestam serviços aos hospitais de forma terceirizada, como lavanderia e esterilização.
Representante comercial da GAM, distribuidora de medicamentos e produtos farmacêuticos sediada em Tubarão (SC), Marcos Gonçalves atende hospitais públicos, privados e prefeituras de Londrina a Foz do Iguaçu e diz que sem a estrutura rodoviária para transportar os medicamentos até a empresa, a logística reversa para os hospitais também ficou comprometida desde o início da greve nacional dos caminhoneiros. "O que a gente está buscando são os parceiros mais próximos para que a gente garanta a entrega dos produtos", comentou.
Em condições normais, comparou Gonçalves, o prazo de entrega da empresa para Londrina é de 12 horas. A encomenda sai de Tubarão às 19 horas e chega ao destino no início da manhã do dia seguinte. "Veja a minha dificuldade. O faturamento médio diário da empresa toda é de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões. Aqui para a região, a cota é perto de R$ 2 milhões. O impacto que essa greve deu, não só em faturamento, foi muito grande. Desde o dia 21 de maio (data do início da paralisação), eu não consigo transportar nada de lá para cá."
Segundo Haddad, a preocupação maior dos hospitais, neste momento, é com os estoques dos fornecedores, que não estão sendo repostos. "Se a greve perdurar muito tempo, pode ser que eles não tenham mais produtos para entregarem. Há uma escassez de matéria-prima, as indústrias não estão mais fabricando. Estamos sendo vítimas de uma situação que não fomos nós quem criamos e isso vai tornar vítimas também os doentes que não têm como fazer, não têm alternativa", lamentou. "Todo mundo tem boa vontade, mas não conseguimos ver uma luz no fim do túnel."
O gerente operacional da Translog Transportes, Cleison Marcolino, disse que a redução da demanda na semana passada ficou entre 40% e 50%, mas nesta semana a movimentação na transportadora caiu 70%. "Hoje não saiu nada", disse. De acordo com ele, os distribuidores pararam de mandar as mercadorias nesta semana. A sede da empresa fica em Curitiba e o gerente informou que se as cargas começarem a sair da capital e conseguirem chegar a Londrina, o serviço voltará à normalidade. "Hoje tem bastante caminhão parado e estamos tentando de todas as formas conseguir colocar em ordem."


