Hospitais ameaçam romper com Estado
Lino Ramos
Especial Para a Folha
De Londrina
A Federação dos Hospitais do Paraná (Fehoespar) poderá suspender o convênio com a ParanaPrevidência a partir do dia 1º de agosto se o governo do Estado não pagar as instituições conveniadas. A medida deve prejudicar 460 mil servidores, aposentados e dependentes em todo o Estado. O superintendente da Fehoespar, Miguel Jorge Rosa Neto, disse à Folha que as instituições não recebem desde dezembro do ano passado e a dívida da ParanaPrevidência com os hospitais conveniados é de aproximadamente R$ 30 milhões.
O Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde de Londrina também anunciou a suspensão do convênio na região Norte do Estado a partir de 7 de agosto. A decisão foi anunciada após uma reunião realizada ontem entre os diretores desses hospitais na sede da entidade. O diretor do sindicato, Fahad Haddad, disse que o governo deve mais de R$ 1 milhão aos hospitais e clínicas da região, R$ 500 mil somente para a Santa Casa.
Se não houver um posicionamento e um pagamento, suspenderemos o atendimento em agosto. Eles recolhem 2% do salário dos servidores e não estão repassando ao IPE. Já estamos numa situação difícil com o SUS, justificou Haddad.
De acordo com Miguel Rosa Neto, na sexta-feira, a Fehoespar pediu audiência com o governador Jaime Lerner para discutir o problema mas até ontem o governo não havia respondido ao ofício da Federação. A partir de 1º de agosto, se não houver uma racionalização e a promessa do governador Jaime Lerner de que os pagamentos serão colocados em dia, suspenderemos o convênio, disse Neto.
Segundo ele, os hospitais passarão a atender os conveniados da ParanaPrevidência na condição de particular, cobrando pela tabela do IPE (um quinto do preço convencional).
Miguel Rosa Neto se mostra contrariado com as declarações dadas à Folha pelo presidente da ParanaPrevidência e secretário de Planejamento, Miguel Salomão, de que o pagamento aos hospitais foi prejudicado pelas ações judiciais. Salomão alegou que as liminares bloquearam os recursos descontados dos servidores. Eles querem pagar com o dinheiro da ParanaPrevidência, mas as dívidas até julho devem ser pagas pelo IPE, alega Rosa Neto.
O superintendente da Fehoespar diz ainda que a despesa mensal do IPE com os hospitais é de R$ 4,2 milhões, mas a Secretaria Estadual de Fazenda tem repassado R$ 3,5 milhões ao Instituto.





