Hortas reforçam dieta de 2,5 mil famílias
Marcos Zanatta
De Maringá
As mais de 2,5 mil famílias do Conjunto Requião, um dos bairros mais pobres de Maringá, mudaram o hábito alimentar nos últimos anos. O conjunto foi criado há cinco anos para acabar com os bolsões de pobreza, que apresentavam riscos de formação de favelas em várias regiões da cidade. Famílias de risco social foram selecionadas e ganharam uma casa financiada com prestação fixada em 20% do salário mínimo.
Depois de fazer amplo trabalho social, conscientizando os moradores da importância de manter o bairro limpo, não deixar as crianças nas ruas e prender os cachorros, a prefeitura começou a melhorar a alimentação das famílias.
O primeiro passo, em parceria com o Ceasa, foi implantar um projeto de reciclagem de lixo, que atende 244 famílias. Antes, lembra o secretário de Serviços Públicos e Meio Ambiente, Hamilton Cardoso, era comum plásticos, papel e garrafas descartáveis jogados pelas ruas. Todo material recolhido pelos moradores é trocado por legumes e verduras.
Nos dois últimos anos, o Serviço Social mantido pela prefeitura no bairro fez outra parceria com a Agrojúnior, empresa formada por estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que está incentivando o cultivo de hortaliças no quintal das casas.
Os alunos dos cursos de agrárias ensinam as famílias a cultivar a terra e a prefeitura fornece as sementes. São quatro grupos divididos em 10 famílias, que recebem variedades diferentes de hortaliças. As famílias depois trocam verduras e legumes. Se houver excedente repassam para vizinhos e parentes. O plantio também é feito escalonado, garantindo a produção por um período mais longo.
No ano que vem, mais 40 famílias serão incluídas no projeto. Com ajuda da Pastoral da Criança, os moradores estão também aprendendo a utilizar corretamente alguns vegetais. Folhas, talos e ervas são transformadas em alimentos ricos em proteínas.
Os moradores devem participar de novos projetos para melhorar a alimentação das famílias. Queremos incentivar alguma criação, diz a assistente social da prefeitura Fuka Lima. Uma das propostas em estudo pelos integrantes da Agrojúnior é a criação de coelhos, que são animais pouco exigentes e que podem ser alimentados com o excedente das hortas. Vamos estudar a possibilidade de produzir carne de coelho defumada, revela Fuka. Ela diz que até os estudantes das áreas ligadas ao campo ficaram surpresos com a idéia.
Os moradores que participam do projeto de horta em casa, depois de alguma resistência querem agora ampliar a área plantada. O aposentado Miguel Arcanjo de Oliveira, que mora no conjunto desde que foi inaugurado, não queria horta em casa. Depois de muita insistência de Fuka, a mulher dele concordou em participar de reunião, levou sementes e fez um canteiro. Hoje me alimento melhor, dou verduras para os vizinhos e sei da importância das verduras, afirma Oliveira. Ele tem um filho com problema de raquitismo, que apresentou melhora surpreendente depois da horta em casa.
O vigia José Soares Pereira é um entusiasta do projeto. A gente economiza e sempre tem verduras e legumes saudáveis em casa, elogia. Ele fez uma horta orientado pelos estudantes, plantou as sementes que ganhou e ficou empolgado. Hoje tem três canteiros onde planta outros vegetais. O bom é que não usamos veneno, afirma. Pereira conta que a mulher, que no começo não ligava para a horta, hoje ajuda a cuidar da plantação. Minha idéia é construir nos fundos, mas enquanto tiver espaço vou ter verduras frescas todo dia.





