Após sofrer um acidente no trabalho, há seis meses, Vilma de Almeida, que trabalhava com serviços gerais, precisou se afastar do emprego. ''Estava lavando um copo que estourou e acabou cortando'', disse mostrando uma longa cicatriz que ainda atrapalha o movimento de sua mão esquerda. Hoje ela procura se desestressar e conseguir alguma renda trabalhando na horta comunitária do Conjunto Avelino Vieira, inaugurada ontem, na Zona Oeste de Londrina.
''Eu sempre gostei da terra, porque nasci e fui criada na roça. Então, gosto de trabalhar aqui. Além de plantar para usar em casa, pois amo verdura, também vendo. Consigo tirar pelo menos uns 5 reais por fim de semana'', comentou Vilma, que é mãe solteira de três filhos.
Além de Vilma outra 32 famílias são beneficiadas pela horta comunitária. O aposentado Simão Alves da Costa é um destes. Ele já plantou couve, alface, abobrinha, e até mandioca. ''Fui um dos pioneiros da Universidade Estadual de Londrina. Trabalhei lá desde o início até 2 anos atrás, quando me aposentei. Cuidava da jardinagem'', disse.
Ao contrário de Vilma, Simão planta mais por gosto. ''Não vendo. Só dou e uso. Trabalhar aqui é bom para passar o tempo'', comentou.
De acordo com a secretária de Agricultura e Abastecimento, Marisol Chiesa, esta foi a 22 horta comunitária entregue pelo município. O terreno possui 600 metros quadrados. Segundo Marisol, as hortas comunitárias ajudam a ''melhorar a alimentação da comunidade, o relacionamento entre os moradores, a relação com o trabalho e ainda o excedente pode ser comercializado''.
Cambé (Norte), município de 96 mil habitantes, foi pioneiro na criação de hortas comunitárias. De acordo com o coordenador do projeto na cidade, Sérgio Amaro, hoje existem 22 hortas cuidadas por 815 famílias em Cambé. ''A primeira horta foi criada em 1984, no Jardim Tupi e funciona até hoje'', comentou.
O aposentado José Oliveira dos Santos foi um dos fundadores da horta do Jardim Ana Elisa III, em Cambé, criada há cerca de 14 anos. ''Isso aqui é uma terapia'', resume ele que planta até milho, ''para fazer uma pamonha. Eu não vendo só dou para os filhos ou amigos''.
Há quatro meses Santos, que tem 72 anos, perdeu a esposa. ''Enquanto a gente tá aqui trabalhando não é tão díficil, mas quando chega de casa à noite e vê o sofá vazio, na hora que ela via a novelinha dela. É difícil''.

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