De Curitiba
O horário de verão termina hoje, contabilizando economias consideráveis no consumo de energia no País. Os relógios devem ser atrasados uma hora a partir da meia-noite de hoje (sábado para domingo), quando volta a funcionar o antigo horário.
No Paraná, o horário possibilitou a redução de 4%, o equivalente a 60 mil megawatts-hora (MWh), do consumo de energia residencial. Os principais benefícios foram registrados nos horários de pico de consumo (das 17 às 21 horas), período em que a economia chegou a 200 MW.
‘‘Essa quantidade de energia é capaz de abastecer uma cidade do tamanho de Maringᒒ, informa a gerente de Operações do Sistema Elétrico da Copel, Ana Rita Xavier Mussi.
‘‘Quando o horário de verão está vigorando, não há sincronia nas atividades dos usuários. Como a energia natural pode ser utilizada por mais tempo, o sistema de abastecimento não fica sobrecarregado’’, explica. Esses 4%, acrescenta, possibilitam uma folga no sistema. Segundo ela, em 98 a economia ficou em torno de apenas 1%. No começo do verão daquele ano, houve ondas fortes de calor. As pessoas se utilizaram mais do ar condicionado e outros eletrodomésticos.
Ela acredita que não haverá problemas de falta de energia por um longo tempo no País graças à criação da unidade geradora da usina de Salto Caxias. ‘‘Esse fato, associado à redução do consumo conseguida com o horário de verão diminui os riscos de faltar energia’’, afirma.
Em todo o Brasil foi possível economizar 5,1% de energia nos horários de maior consumo. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a redução geral foi de 1%, ou 1670 MW. Essa quantia é equivalente à potência de duas turbinas da Usina de Itaipu.
Apesar da instalação de novas usinas hidrelétricas, que devem começar a operar nos próximos quatro anos, argumenta a engenheira, o horário especial deve continuar sendo adotado, pois permite uma grande economia de energia.
O presidente da Comissão de Serviços Públicos de Energia de São Paulo, Zevi Kahn, acrescenta que a economia de energia elétrica no horário de verão foi importante e evitou problemas no abastecimento. Só em São Paulo, a economia no horário de pico foi de 862 megawatts/hora. ‘‘Foi uma economia importante pois os reservatórios das principais hidrelétricas nacionais estavam ameaçados pela seca.’’
Ele disse também que, em São Paulo, a média de economia de energia com o horário de verão, no dia inteiro, foi de 118 megawatts, ou 1% de economia. ‘‘Considerando o Brasil inteiro a média foi de 366, também 1%’’, explicou. Kahn afirmou que ‘‘1% em um momento de economia vale muito e pode ter evitado problemas no sistema.’’
O horário de verão vigorou pela 26º edição em 22 estados brasileiros desde 03 de outubro do ano passado. Criado em 1931, o horário especial só passou a acontecer em anos seguidos a partir de 1985. Pela primeira vez, a medida foi adotada também na região Nordeste.
Em todo o País, ficaram de fora do programa os seguintes Estados: Amazonas, Pará, Acre, Amapá e Rondônia. Os números fornecidos são preliminares, os oficiais só estarão disponíveis pelo governo no próximo mês. (Com Agência Estado)

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