Brasília, 25 (AE) - Com o fim do horário de verão, à meia-noite de amanhã (26), todos os relógios das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, além do Tocantins e de Roraima
deverão ser atrasados em uma hora. Foi a mais longa versão do horário de verão, com 147 dias, desde que ele foi adotado de forma ininterrupta em novembro de 1985. Ao alterar o cotidiano de 21 Estados e do Distrito Federal, esta foi a versão mais abrangente desde 1988, quando toda a Região Norte também foi afetada pela medida.
Nas próximas semanas, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deverá promover uma pesquisa nacional para verificar a aceitação da população sobre a mudança no horário. O objetivo é saber qual o impacto da medida na população nordestina, que desde 1990 não era submetida ao horário de verão. A mais recente pesquisa realizada pela Aneel, feita durante a última versão do horário, apontou que a maioria da população brasileira gosta da medida e se adaptou com facilidade à mudança do relógio.
Segundo o levantamento, feito pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica da USP (Fipe), 60,4% da população aprovam o horário de verão, considerando o horário de verão bom (43,9%) e ótimo (16,5%). Já 21,8% dos entrevistados avaliaram como regular o horário de verão. Apenas 17,4% rejeitaram a medida, qualificando-a como ruim (7,5%) e péssima (9,9%). Os dados da Fipe apontam ainda que a maioria (65%) dos entrevistados se adapta fácil ou muito fácil ao novo horário. O volume de pessoas que considera a adaptação difícil ou muito difícil chega a 15,3% e 9% acham razoável a adequação ao novo horário.
Do total, 10,7% afirmaram que não se adaptaram à mudança no relógio. Segundo a Fipe, o período que as pessoas levam para se acostumar com a vida com uma hora a menor que 11,7 dias. Para a maior parte dos entrevistados que tem pelo menos um filho em idade escolar (45,6% do total de domicílios) o aproveitamento das crianças não se alterou. Esta resposta foi dada por 77,8% dos pesquisados. Por outro lado, 13,1% dos pais com filhos na escola afirmaram que as crianças pioraram seu desempenho por acordar mais cedo. Já 9,1% dos pais acredita que o desempenho melhorou. Economia - Para o governo, o tempo de vigência do horário de verão foi suficiente para afastar o risco de aumento da demanda no horário de pico de consumo, entre 17 horas e 22 horas no período de maior calor do ano. O temor do Ministério de Minas e Energia era que o excesso de demanda pudesse elevar o consumo até o limite da capacidade de geração de energia do País. Neste caso, o risco de haver problemas no abastecimento é muito maior, pois não haveria sobra de energia para eventuais emergências.
Segundo dados divulgados esta semana pela Aneel, os 147 dias de vigência do horário de verão conseguiram reduzir em 6,2% a demanda de energia no horário de pico do consumo nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho garantiu que, mesmo com o fim do horário de verão não há o risco de ocorrer problemas de abastecimento de energia no País. Ele admitiu que pelo menos nos próximos dois anos, a alteração nos horários durante o verão continuará sendo necessária "do ponto de vista de economia de energia no horário de pico".
De acordo com o relatório da Aneel, no sistema elétrico interligado Sul/Sudeste e Centro-Oeste, a redução de demanda no horário de pico chegou a 5,2%, o que representou um total de 2.154 megawatts deslocados no horário de pico. No Rio de Janeiro e Espírito Santo, considerados Estados críticos em razão das altas temperaturas do verão e por serem importadores de energia de outros Estados, a redução da demanda chegou a 6%. Luz - Para as populações dos 21 Estados e do Distrito Federal afetadas pela medida, o fim do horário de verão irá alterar novamente alguns hábitos. De acordo com dados da Aneel, em São Paulo, por exemplo, o dia ficará claro às 5h33, uma hora antes do que ocorreria no horário de verão. Em contrapartida, o paulista terá mais dia curto, pois o anoitecer passa das 20h05 para as 19h05.
Na região Sul e no interior do País, o alvorecer e o entardecer ocorrerão mais tarde em relação a outras regiões. Em Porto Alegre, o alvorecer ocorrerá às 5h44 e no Distrito Federal às 5h45. Já nas cidades que se situam mais ao norte e ao leste do País terão o alvorecer e o entardecer mais cedo, pois a incidência da luz solar é maior.
Em Salvador, por exemplo, o alvorecer ocorrerá sem o horário de verão às 5h10, enquanto no Rio de Janeiro será às 5h20. Em contrapartida, o anoitecer ocorrerá mais cedo em relação a outras regiões. Em Salvador, a noite começará às 18h23 e no Rio de Janeiro às 18h50. Metrô - Na cidade de São Paulo, a Companhia do Metropolitano (Metrô) informou hoje que o serviço funciona normalmente amanhã até a meia-noite, após o atraso nos relógios. Domingo, o metrô volta a funcionar às 5 horas da manhã como de costume. Nos terminais rodoviários da capital Tietê, Barra Funda, Jabaquara e Bresser os ônibus com horário de partida até a meia-noite de amanhã saem normalmente. Quem tem passagem para depois da meia-noite deve se orientar pelo novo horário dos relógios.
Os passageiros com dúvidas sobre seus horários de viagem podem consultar a central de atendimento ao usuário, pelo telefone (0--11) 235-0322, das 5h30 às 23h30. De acordo com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), o Aeroporto de Cumbica funciona normalmente. Como o Aeroporto de Congonhas, opera das 6 às 23 horas, nada será alterado pelo atraso nos relógios.

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