Horário de verão reduziu em 6,2% consumo de energia no Sudeste e Centro-Oeste; índice no NE surpreende
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Gustavo Paul 
Brasília, 23 (AE) - Os 146 dias de vigência do horário de verão conseguiram reduzir em 6,2% a demanda de energia no horário de pico do consumo, entre 17 horas e 22 horas, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, afastando o risco de sobrecarga no sistema elétrico. O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, apresentou hoje o balanço preliminar da 26.ª versão do horário de verão, que se encerra à meia-noite de sábado nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, além de Roraima e Tocantins.
"Os resultados obtidos com a mudança no horário foram muito positivos", disse Tourinho. Um documento do ministério revela que a redução na carga de energia trouxe folga nos recursos de geração existentes, o que permitiu melhorar o controle de tensão e aumentar a confiabilidade e a qualidade do atendimento ao consumidor final. Foi possível realizar também, de acordo com o texto, "importantes serviços de manutenção nas instalações de geração e transmissão".
A partir da zero hora de domingo, todos os relógios das regiões afetadas pelo horário de verão deverão ser atrasados em uma hora. Segundo o ministro Tourinho, mesmo com o fim do horário de verão não há o risco de ocorrer problemas de abastecimento de energia no País. Ele admitiu que, pelo menos nos próximos dois anos, a alteração nos horários durante o verão continuará sendo necessária "do ponto de vista de economia de energia no horário de pico".
Economia - De acordo com o relatório do Ministério de Minas e Energia, no sistema elétrico Sul/Sudeste e Centro-Oeste, a redução de demanda no horário de pico chegou a 5,2%, o que representou 2.154 megawatts deslocados no horário de pico. Neste sistema, a economia média de energia chegou a 1,1%. Se forem consideradas apenas as regiões Sudeste e Centro-Oeste, a redução de demanda foi maior, chegando a 6,2%, com economia média de 1 3%.
No Rio de Janeiro e Espírito Santo, considerados críticos em razão das altas temperaturas do verão e por serem importadores de energia de outros Estados, a redução da demanda chegou a 6% e a economia média foi de 1,8%. Em São Paulo também houve deslocamento expressivo da demanda nos momento de maior consumo, chegando a 5,3% da energia gerada. Nordeste - A maior surpresa ocorreu na região Nordeste, que pela primeira vez desde a década de 80 foi incluída na medida. Os dados apontam que a demanda no sistema elétrico da região foi reduzida em 2,3%. Como na região a luminosidade é pouco afetada com a mudança no horário, a expectativa era que a economia fosse menor.
Ainda de acordo com o balanço divulgado pelo Ministério de Minas e Energia, o governo conseguiu postergar investimentos em geração e transmissão de energia para o atendimento do aumento sazonal da carga de energia. Para atender à demanda seria necessário a construção de uma usina térmica a gás que demandaria investimentos de R$ 1,1 bilhão no Sistema Sul/Sudeste e Centro-Oeste.


