Horário de verão já está em vigor
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segunda-feira, 01 de novembro de 2004
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Os brasileiros tiveram que acertar os relógios na madrugada de hoje para se ajustar ao horário de verão. Para muitos, o relógio é parte obrigatória da indumentária dos chiques e elegantes. Outros dizem que é extensão do próprio corpo. Não é raro encontrar pessoas que mantêm relações de amor e ódio com a invenção do brasileiro Santos Dumont: carrasco para alguns, o relógio de pulso, é o melhor amigo dos que não querem perder a hora.
No dia em que as pessoas ainda estão um pouco confusas com o horário de verão, que começou à zera hora, vale o conselho de quem vive cercado por relógios. ''Time is money'', afirma o relojoeiro de Londrina Enio Sambati, 62 anos, que há quatro décadas vive de acertar a hora dos outros. Para ele, não adianta reclamar ou comemorar a mudança no horário já que o tempo também é relativo.
O autônomo José Carlos da Silva, 55 anos, morador na Zona Norte de Londrina, é daqueles que preferem chegar adiantado até no horário de verão. ''Adiantado, eu vou mais tranquilo'', justifica o alagoano. Ele confessa que não fica sem duas coisas na vida: o relógio e um pente para dar um trato no visual.
Aos 15 anos, o construtor Levino Francisco Ferreira, 54 anos, ganhou o primeiro relógio de pulso e nunca mais se separou dele nem para dormir ou tomar banho. ''No dia em que o meu relógio quebrou, comprei outro na hora'', lembra.
Escravos do relógio deveriam conhecer o motorista Aparecido Bergamasquio, 53 anos, para quem o horário de verão não faz a menor diferença. ''Para mim, as horas são assim: quando escurece eu vou dormir, na hora que clareia, eu me levanto.'' Mas, o que o motorista que nunca usou o relógio faz para saber as horas? ''Pergunto para os outros uai.'' Para ele, as pessoas precisam se libertar dessa ''escravidão''.
Coisa que a doméstica Marlene de Oliveira Munhoz, 50 anos, ainda não conseguiu fazer. Com o tempo cronometrado até por um relógio reserva, caso o titular resolva não colaborar, a moradora da Zona Norte diz que acorda, diariamente, às 5h30, sai de casa às 6h55 para estar no trabalho às 8 horas, afinal ''patrão não espera''. Para se ver livre da ditadura dos ponteiros, que torna o horário de verão insuportável para muitas pessoas, a doméstica não tem dúvida: ''Só ganhando na loteria.''


