Horário de verão desorganiza relógio biológico
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Caroline Vicentini<BR>Reportagem Local 
A antipatia de muitos pelo horário de verão - que começa à zero hora deste domingo - pode não ser mera implicância. Mais do que exigir uma reprogramação do corpo para dormir e acordar uma hora mais cedo, a alteração de horário provoca impactos em todo o organismo e a adaptação não é automática.
Segundo a neurologista Mônica Marcos de Souza, a maioria da população leva de cinco a sete dias para se adaptar. ''O que ocorre é uma dessincronização entre o relógio biológico e o que acontece lá fora. A mudança desorganiza o ritmo do organismo, altera a produção dos hormônios, principalmente o cortisol, ligado ao estresse, e a temperatura do corpo'', explica Mônica.
De acordo com ela, os sintomas mais comuns nos primeiros dias são insônia, sonolência diurna, cansaço, irritabilidade, diminuição na capacidade de concentração e alteração do apetite.
''Pesquisas apontam aumento de 7% nos acidentes de trânsito no primeiro dia após a mudança. Também há estudos que indicam aumento de 5% no índice de infarto'', afirma. As pessoas que dormem tarde e acordam tarde e os profissionais que atuam em áreas que exigem muita atenção e que impõem rotinas irregulares, como motoristas e plantonistas, estão entre os mais prejudicados.
Onde muda o horário
À zero hora de domingo os relógios deverão ser adiantados uma hora. A medida ficará em vigor até 21 de fevereiro de 2010. A mudança será para os Estados do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e no Distrito Federal. Desde 2008, o decreto 6.558 estabeleceu datas fixas para o início e término do horário de verão no País.
Instituída no verão de 1931/32, essa será a 36 vez que a medida é implantada no país; ininterruptamente desde 1985. É adotado sempre nesta época do ano devido ao aumento na demanda, resultado do calor e do crescimento da produção industrial às vésperas do Natal. Neste período, os dias têm maior duração e a luminosidade natural pode ser melhor aproveitada.
Nos últimos dez anos, segundo o Ministério de Minas e Energia, a adoção do horário de verão possibilitou uma redução média de 4,7% na demanda por energia no horário de maior consumo, que ocorre entre 18h e 21h.


