O governo antecipou novamente para a primeira quinzena de outubro o início de vigência do horário de verão para evitar problemas de abastecimento de energia nos próximos meses. O Diário Oficial publicou ontem decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso estabelecendo que a partir da zero hora do dia 8 de outubro, um domingo, todos os relógios das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste, além de Tocantins e Roraima e Distrito Federal, deverão ser adiantados em uma hora. No ano passado, a medida teve início no dia 3 de outubro. Até 1998, a prática era iniciá-la na segunda quinzena de outubro.
Com esta medida, o governo quer afastar o risco de aumento da demanda no horário de pico de consumo, entre 18 horas e 20 horas, no período de maior calor do ano.
O tempo de vigência do próximo horário de verão será de 133 dias, 14 dias a menos que a versão encerrada em fevereiro passado. Os relógios deverão voltar ao horário normal no próximo dia 18 de fevereiro, que também será um domingo. O temor do Ministério de Minas e Energia é que o aumento da demanda possa levar ao aumento do consumo até o limite da capacidade de geração de energia do País.
Neste caso, o risco de haver problemas no abastecimento é muito maior, pois não haveria sobra de energia para eventuais emergências.
Normalmente, durante o verão a utilização de aparelhos de ar-condicionado é maior. Além disso, nos últimos meses do ano, a atividade industrial se intensifica, aumentando o consumo. A medida é considerada estratégica, pois o ano de 2001 terá menor entrada de energia nova no sistema elétrico brasileiro em relação aos anos anteriores, o que poderá trazer dificuldades para atender ao aumento da demanda para uma economia que tende a crescer mais de 4%.
Segundo dados divulgados ao final da última versão do horário de verão pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os 147 dias de vigência da última versão do horário de verão conseguiram reduzir em 6,2% a demanda de energia no horário de pico do consumo nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. De acordo com dados da agência, o horário deve proporcionar uma economia média de energia de 1% no País.
O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, admitiu também em fevereiro que, pelo menos nos próximos dois anos, a alteração nos horários durante o verão continuará sendo necessária ‘‘do ponto de vista de economia de energia no horário de pico’’. Até 1999, o horário de verão tinha início na segunda quinzena de outubro. No ano passado, ele foi antecipado para a primeira semana do mês para como medida de salvaguarda, o que foi repetido este ano.

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