Hora extra deu novo impulso à economia dos Estados Unidos
Nova York, 06 (AE-DOW JONES) - O crescimento da produtividade tem sido responsável por boa parte da expansão econômica, mas nos Estados Unidos esses ganhos vieram do aumento de horas trabalhadas.
Na Europa, a produção aumentou sem a ampliação da jornada e, em alguns casos, com a redução da semana de trabalho, como na França, onde os funcionários industriais são contratados por um máximo de 36 horas semanais.
"A maior parte dos ganhos na economia dos Estados Unidos vem do aumento do número de horas trabalhadas, não da elevação dos salários por hora", afirma Lawrence Mischel, vice-presidente do Instituto de Políticas Econômicas (IPE). Mas, observa, as horas extras criaram novas tensões entre trabalhadores e empresas, já que muitas delas terceirizam alguns serviços para escapar ao pagamento extra, além das 40 horas legais.
Segundo pesquisas recentes, a mudança de foco da economia, do setor industrial para o de serviços, é parcialmente responsável pelo aumento, já que prestadores de serviço não têm a cultura do horário, como no setor industrial. No ramo de informática, principalmente no de criação de software, por exemplo, o trabalho gira em torno de um projeto com prazo de entrega definido, o que muitas vezes exige 90 horas semanais de trabalho até sua conclusão.
Pesquisa feita pelo IPE, uma entidade liberal privada, já identificou que os casais de classe média nos Estados Unidos trabalham em média 3.335 horas por ano, ante 3.200 horas na década anterior e pouco mais de 3 mil horas na década de 70. Na prática, isso significa um aumento de oito horas na semana de trabalho desde 1979, principalmente por causa da incorporação das mulheres ao mercado. Até o fim da década de 70 as mulheres que aceitavam empregos fora do lar trabalhavam apenas meio período.





