Hora de realizar sonhos
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sexta-feira, 31 de março de 2006
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
A enfermeira aposentada Esmeralda Munhoz, 60 anos, ainda não chegou à faixa etária que o Estatuto do Idoso considera a terceira idade, que é 65 anos. Porém, exemplifica essa geração de pessoas, que descobriu que a velhice é uma página que pode ser preenchida, por exemplo, com a guinada profissional ou a realização de sonhos antigos.
''Tenho colegas com mais de 80 anos que fazem aula da dança do ventre comigo. As meninas entram na dança com vergonha do próprio corpo e se sentem constrangidas de rebolar, dançar, chacoalhar o corpo numa dança que as pessoas acham sensual, mas aos poucos vão perdendo a inibição'', afirma a enfermeira, que há 15 anos participa de um grupo da terceira idade do Serviço Social do Comércio (Sesc) e que resolveu incrementar a vida com a dança.
Londrina tem cerca de 43 mil idosos e caminha a passos largos na discussão de políticas públicas para a terceira idade. O município, que saiu na frente no Brasil ao criar a Secretaria Municipal do Idoso, também é pioneiro na implantação do programa Bolsa Idoso, que beneficia com R$ 100,00 mensais idosos de 60 anos, com renda familiar per capita de meio salário mínimo, até que atinjam 65 anos.
Praticamente uma novidade, o Estatuto do Idoso não teve tempo para influenciar comportamentos sociais, como a economia, que ainda não aposta na terceira idade como um território a ser explorado. ''A gente percebe que aos poucos a sociedade está se adequando. Já se vê propaganda e serviços especializados. É um processo em construção. Aos poucos a sociedade está percebendo a existência desse mercado'', avalia a secretária londrinense do Idoso, Cristina Coelho.
A insatisfação geral dos idosos pode ser constatada através do Relatório sobre a Dignidade Humana e a Paz no Brasil, elaborado pela Pontifícia Universidade Católica, de São Paulo (PUC-SP). No Rio de Janeiro, 40,8% dos entrevistados consideram que os idosos são desrespeitados. Em São Paulo esse percentual caiu para 28,2% e, no Recife (PE), a percepção foi de 25,5% das pessoas questionadas.
''Mudou o perfil do idoso, que não é mais uma pessoa que ficava em casa e que não tinha nenhuma atuação. Hoje, o que nós trabalhamos é com a mentalidade da população para que os idosos tenham mais espaço na vida social'', comenta Cristina.


