Todos os dias pela manhã, naquele estado de semidesperto, a agenda de compromissos do dia desaba com todo o peso na sua cabeça. Você pula da cama, sem o despertador tocar, sem se espreguiçar, sem dar bom dia. Ali, naquele momento, começa a maratona que ''se tudo der certo'' termina 13 horas depois. Pior do que isso? Você já nem dorme mais de tanta preocupação, dedica as horas de sono a cumprir tarefas e vê a vida passar numa ampulheta e em contagem regressiva. Cinco, quatro, três, dois: PARE! Hora de desacelerar, pôr o pé no freio.
O movimento contra a pressa é mundial. A Itália deu o primeiro pontapé com a criação do slow food (comer lentamente, com prazer), que já conta com mais de cem mil associados mundo afora e tem filial no Brasil. Daí surgiram as ''cidades lentas'' e os adeptos da vida numa outra rotação: pessoas trocando o carro pela bicicleta, a TV pela meditação, encontrando tempo no corre-corre para o lazer. Até nos EUA e no Japão tem gente em ritmo jabutiano, bem eficaz, por sinal: com calma, é possível tomar as decisões mais urgentes e acertar mais nos resultados, segundo o autor Lothar J. Seiwert, de ''Se tiver pressa, ande devagar'' (Fundamento).
Levar em conta as emoções do corpo também é fundamental, garante a pesquisadora Eliane Volchan, do Instituto de Biofísica da UFRJ. Ela comprova com pesquisas que coordena com níveis de hormônio na saliva, batimentos cardíacos, respiração e sudorese de voluntários que o fato de se racionalizar o estresse ''entender que trabalhar muito é necessário ou que a violência é inerente à vida humana'' pode acalmar a mente, mas não impede que o corpo continue a reagir de maneira implícita.
Sem que a pessoa ''saiba'', as taxas altas de adrenalina, a frequência cardíaca e as dificuldades respiratórias vão alterando o metabolismo, minando o sistema imunológico e pronto: doença grave à vista! O Brasil já está dando seus primeiros passos para viver em marcha lenta: há patrões que dão programas para seus estressados relaxarem no trabalho; em junho o criador do método Self Healing (autocura), Meir Schneider, irá ao Rio para, num trabalho em conjunto com as empresas, ensinar os funcionários a, no meio do estresse, desacelerarem, darem uma pausa, para voltarem a produzir mais e melhor, sem prejudicarem a saúde e o bem-estar. As dicas também são dadas por quem sabe viver a vida de maneira light: ''Optamos por não ter carro. Vamos de bicicleta com as crianças para todos os lados'', conta a bailarina e coreógrafa Christiana Cavalcanti, que cumpre a rotina de compromissos pedalando pela cidade com o marido, Victor Labouret, e os filhos, Gabriel e Guido.
Para médicos e terapeutas especializados em tratamento do estresse, há medidas que desaceleram e melhoram a qualidade de vida. No ranking dessas atividades, eles destacam a meditação (estudos feitos na Universidade Harvard, pelo cientista Herbert Benson, mostraram que meditar libera endorfina, analgésico natural, e reduz a hipertensão, a insônia, a enxaqueca), a prática de atividade física, o contato com a natureza, um maior convívio com a família e os amigos, o lazer e até mesmo o ócio. Técnicas de biofeedback e fitoterápicos também ajudam.

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