Hora de controlar consumismo infantil
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Agência Estado 
Pedro Talamoni de Abreu quer um presente, a mãe dele quer decorar a nova casa da família. Às vésperas do Dia das Crianças, vence o bom senso: o garoto não vai passar a data sem lembrancinha, mas terá de optar por um brinquedo baratinho. ''Estamos gastando muito com a mudança e pedimos a ele que escolhesse algo na faixa de R$ 20. Ele compreendeu a situação, sem fazer drama'', diz Danielle Talamoni de Abreu, 28 anos.
No meio de crianças que gritam pelo shopping e se jogam no chão de todo supermercado, o gesto compreensivo do menino parece raro. Afinal, é possível limitar os gastos sem receber birras como resposta? Danielle garante que sim. Pedro tem só sete anos, mas aprendeu a gerenciar o próprio dinheiro quando ainda tinha cinco. ''Na época, ele queria muito um brinquedo que custava R$ 80. Dissemos que pagaria com seu porquinho e que completaríamos o restante. Foi o que fizemos: Pedro contribuiu com R$ 35'', conta.
Mestre em psicologia pela USP, a psicoterapeuta Vera Iaconelli explica que o conflito financeiro na família pode ser motivado pela falta de coerência dos próprios pais. ''O grande problema é o consumo irrefletido. Crianças não têm condições de refletir sobre isso sozinhas. E, muitas vezes, os próprios pais não servem de exemplo. A criança não consegue mensurar as variáveis envolvidas no seu pedido, mas precisa saber que a decisão de dar ou não um presente não é capricho: às vezes, os pais não aprovam o produto ou não podem comprá-lo. Quanto mais se demora para estabelecer critérios, mais difícil fica. Há pais tentando pagar a culpa que sentem com cheque'', opina.
De acordo com a especialista em educação financeira Cássia D'Aquino, o sucesso da negociação entre pais e filhos se resume à capacidade de planejamento da família. ''Se o filho deseja algo que está fora do orçamento, mostre que será preciso criar um plano de poupança: é possível economizar locando menos DVDs ou reduzindo os almoços fora de casa'', sugere.
Coordenadora do projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, a advogada Isabella Henriques enfatiza que até mesmo as propagandas que parecem inofensivas podem conter elementos sedutores para os pequenos. ''Às vezes, o produto nem é para consumo infantil, mas é apresentado com mascotes, efeitos especiais e outros elementos que atraem as crianças. Chegamos a uma situação-limite. Os pais já não sabem o que fazer diante disso. Penso que dizer um ''não'' é necessário, mesmo que a família tenha condições de suprir todas as vontades do filho'', argumenta Isabella. Em 2006, ela escreveu a dissertação de mestrado A Publicidade Abusiva Dirigida para Criança.


