Honra acorda esquecidas vítimas da guerra Anglo-Bôer
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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Andrew Selsky 
Joannesburgo, áfrica do Sul (AE-AP) - Pelo menos 12 mil pereceram em campos de concentração. Outros milhares foram massacrados ou morreram em batalha. Seus ossos repousam em sepulturas sem identificação, há muito esquecidas.
Mas agora, pela primeira vez, negros, homens, mulheres e crianças que morreram na guerra Andglo-Bôer estão sendo lembrados enquanto a nação comemora os 100 anos do conflito e reescreve a história nacional na qual brancos receberam as grandes glórias e aos negros coube, quando muito, notas de pé de página.
O presidente habo Mbeki e o duque de Kent colocaram coroas de flores nas sepulturas de africanos, britânicos e bôeres do lado de fora da cidade de Brandfort, a 300 quilômetros ao sul de Joannesburgo, marcando o lançamento de um final de comemorações.
Uma exibição descrevendo a participação dos negros foi aberta no Museu da Guerra próximo a Bloemfontein, onde anteriormente havia apenas a descrição do conflito da perspectiva dos bôeres, os descendentes dos colonizadores holandeses e europeus.
"Isto significa que a guerra realmente afetou cada sul-africano e contraria a visão, amplamente sustentada na época
de que foi uma guerra de homens brancos", diz Musa Xunu, que está organizando as comemorações centenárias. Reconstituições das batalhas e conferências universitárias também foram planejadas para os próximos quatro anos.
A visão da guerra é parte de uma ampla reforma do passado da nação, agora que séculos de domínio branco terminaram com as eleições de 1994, que incluíram todas as raças e levou o Congresso Nacional Africano, e a maioria negra, ao poder.
Em muitos países, quando um regime ilegítimo é retirado do poder, estátuas são destruídas durante a noite, livros são queimados, ícones dos antigos governantes tornam-se tabu. Na áfrica do Sul as mudanças têm sido mais graduais. Mas estão ganhando ímpeto.
Fotos proibidas dos líderes anti-apartheid como Nelson Mandela e do ativista negro assassinado Steve Biko agora preenchem as páginas de um número cada vez maior de livros de escola, o brasão do país está sendo mudado e os principais aeroportos já não levam os nomes de heróis do apartheid. No mês passado, um artista transformou uma estátua de um líder bôer na Cidade do Cabo em um jovem africano, colocando um chapéu tradicional e uma manta.
"Tudo isso é muito importante porque o papel dos negros em todos os aspectos da vida sul-africana não foi documentado adequadamente", afirma Xunu. "Nós precisamos criar uma atmosfera que reconheça sua importância. Uma equipe de estudiosos também está investigando se os livros de história devem ser reescritos para refletir uma visão mais balanceada da história da guerra Anglo-Bôer. Poucos sul-africanos entendem o quão profundamente os negros estiveram envolvidos e que muitos deles carregaram armas.
A guerra começou em 11 de outubro de 1899, com o Reino Unido tentando controlar as reservas de ouro da áfrica do Sul e a resistência do presidente sul-africano, Paul Kruger. Depois de três anos de lutas de guerrilhas, os britânicos venceram a resistência bôer.
Coronel Robert Baden-Powell, que comandou as tropas britânicas na cidade nortista de Mafikeng, que foi sitiada pelos bôeres, armou alguns negros, fazendo com que um comandantes bôer o acusasse de um "enorme ato de maldade". Negros em Mafikeng recebiam porções de comida menores do que os brancos, onde então recebiam comida para cavalos e finalmente a escolha de morrer de fome ou o corredor de castigos. Mas eles participaram da maioria das lutas repelindo um ataque bôer em 12 de maio de 1900. Vários morreram de fome ou foram baleados durante um cerco de sete meses.
Negros armados capturados pelos bôeres eram geralmente executados. Negros sem qualquer defesa eram também mortos ocasionalmente.
Os britânicos reuniram cerca de 25 mil negros e 94 mil brancos, em sua maioria membros das famílias de comandantes bôeres, nos primeiros campos de concentração do mundo. Epidemias varreram os campos, matando pelo menos 12 mil negros de 18 mil brancos.
Os horrores que os negros enfrentaram estão sendo só agora reconhecidos, disse, por telefone de Londres, Thomas Packenham, autor do aclamado livro "A Guerra Bôer". Mas o crescente interesse chega à medida em que a história está irrecuperavelmente se perdendo. Registros são raramente mantidos pelos negros e a maioria dos que viveram naquele tempo já morreram há muito tempo.
Descendentes africâneres dos bôeres estão planejando suas próprias comemorações. Louis Trichardt, diretor do Afrikanerbund, que promove a cultura e a língua africâner, diz que espera que o novo foco da história ajude a unir os sul-africanos. "Eu acho que é, certamente, um boa idéia", diz ele. "Nós precisamos olhar para o futuro".


