Paris, 01 (AE) - Nasceu uma estrela. Ela se chama Amélie Mauresmo, tem 19 anos e joga tênis. Muito bem. Em poucas semanas, essa desconhecida disputou duas finais do grande torneio, na Austrália e, em seguida, em Paris. As duas vezes ela foi vencida "no último momento", por Martina Hingis, a campeã mundial, e por Serena Williams, a fenomenal negra americana.
Mauresmo tornou-se uma celebridade. Mas, desde sua primeira entrevista, disse uma frase bizarra. Ela falou de sua "amiga", e precisou bem para a jornalista: "Amiga, escreve-se com "a" no final".
Nos primeiros dias, essa confidência sacudiu o meio do tênis feminino, que bem ou mal, outrora havia sido obrigado a aceitar a homossexualidade, assumida tardiamente, de outra campeã que foi Martina Navratilova.
Particulamente, as rivais de Amélie "nas quadras" fizeram declarações cheias de vinagre: uma delas declarou: "Quando jogo contra Amélie, tenho a impressão de estar jogando com um homem". E Martina Hingis foi mais longe: "Afinal de contas, Amélie vive com uma mulher. Portanto, ela é apenas metade garota". Outras observaram que ela tem "ombros de transportador de móveis".
No entanto, muito rapidamente, essa homossexualidade foi aceita pelo grande público: Paris-Match publicou, na capa, uma foto mostrando Amélie Mauresmo docemente abraçada com sua "amiga" Sylvie Bourdon, em sua casa em Saint-Tropez.
A comunidade homossexual está encantada. Amélie lhe reservou suas melhores entrevistas; por exemplo, foi capa da revista muito "soft" anglo-saxônica, "Tétu". Ela declarou a essa revista: "Acho que, desde Martina Navratilova, tem havido uma evolução. Não tenho experimentado reações negativas".
(Amélie parece ter esquecido as perfídias de Martina Hingis. É verdade que Hingis apresentou suas desculpas por suas declarações inoportunas).
Certamente, é verdade que o espírito público evoluiu desde uns quinze anos. No entanto, os preconceitos permanecem. Às vezes, esses preconceitos ganham um tom engraçado e ridículo.
Eis o que acaba de acontecer em Londres: um projeto previa dar a uma rua (aliás, uma rua bem pequena) de Londres o nome do grande físico francês do século XIX, especialista em dilatação dos gases e dos vapores, Louis Joseph Gay-Lussac.
Imediatamente, no bairro considerado desencadeou-se uma revolta. O talento do grande pesquisador francês não foi colocado em questão. Mas alguns londrinos ficaram escandalizados por esse cientista francês não só ter sido homossexual, como ainda ter assumido publicamente seu gosto por homens, fazendo anteceder seu nome de Lussac, com uma espécie de "instrução": Gay.
Rapidamente, os instigadores da iniciativa explicaram que Gay-Lussac não era em hipótese alguma um homossexual, mas que seu nome provocava essa idéia, pois continha a palavra "gay". Parece que essas explicações acalmaram um pouco a cólera dos "puritanos", mas alguns deles continuam a batalhar.

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