Homossexuais vão poder adotar filhos na Suécia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de junho de 2002
France Presse 
Estocolmo - Ao conceder a casais homossexuais a possibilidade de adotar crianças, o Parlamento da Suécia se colocou numa posição de vanguarda no mundo. Uma ampla maioria no Parlamento sueco integrada por ex-comunistas, ecologistas, social-democratas, centristas e liberais votou na noite de anteontem o texto enviado pelo governo (198 a favor, 39 contra e 71 abstenções).
Nem todos os democrata-cristãos e conservadores seguiram as recomendações de seus partidos, de oposição à proposta.
Os casais homossexuais suecos poderão, a partir de 1º de agosto, candidatar-se à adoção: um casal poderá adotar uma criança ou um deles poderá adotar os filhos de seu parceiro (a).
A maioria dos deputados se opôs às reservas dos conservadores que queriam limitar a adoção aos filhos de um dos parceiros e se opunham às demais formas de adoção por parte de homossexuais, sobretudo a de crianças estrangeiras.
A maior parte dos debates se concentrou nesse ponto mas, no final, a votação foi 183 a favor e 115 contra. Na Suécia, em cada 100 adoções, apenas de 10 a 20 são nacionais. Os menores provêem, em geral, da China, da Colômbia e da Coréia do Sul.
Mas, depois dessa votação, a Suécia deverá paradoxalmente retirar-se da Convenção de Haia sobre a proteção infantil, que prevê as mesmas regras de adoção para todos os países signatários.
A Holanda, por exemplo, que permitiu a adoção por casais homossexuais, ao legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, restringiu essa possibilidade aos menores de nacionalidade holandesa.
Os meios homossexuais receberam os resultados da votação com alegria.
É uma decisão incrivelmente positiva e gratificante, afirmou Soeren Andersson, dirigente para a região de Estocolmo da Federação sueca para os direitos das lésbicas, dos gays e dos transexuais.
Outros países que reconhecem os casais do mesmo sexo, como França, Alemanha ou Noruega, não reconheceram até agora o direito de adoção para elas.


