Salvador, 19 (AE)- Enquanto os bancos de sangue sempre se queixam da falta de doadores, os homossexuais não são aceitos como doadores pois são classificados como grupo de risco. Para tentar mudar isso, na segunda-feira, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (Abgtl) inicia uma campanha nacional para que os homossexuais sejam aceitos como doadores.
O organizador da ação, o antropólogo Luís Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB) disse que o objetivo é mudar a Portaria 1376/93 do Ministério da Saúde que considera os homossexuais como grupo de risco para aids. "Essa exclusão é anacrônica e discriminatória pois está comprovado cientificamente que já não existem grupos de risco, mas sim situações e comportamentos de risco, tanto que a aids aumenta cada vez mais entre os heterossexuais, mulheres e esposas fiéis cujos maridos tinham multiplas parceiras", disse Mott, alegando que a exclusão reforça o título da aids como "peste-gay".
Os 70 grupos gays espalhados por todo o Brasil, filiados à Abgtl foram orientados a convocar seus associados a procurarem os centro dee coleta de sangue, se identificarem como gay e exigir o recebimento de seu sangue. Os doadores homossexuais deverão se enquadrar no padrão requerido pelo Ministério da Saúde, idade entre 18 e 60 anos, boa saúde, sem antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis, sem multiplos parceiros em relações sexuais desprotegidas. Caso os homocentros recusem a doação, os gays serão orientados a pedir documento atestando o motivo, que será enviado ao ministro da Saúde José Serra.
"Vamos denunciar a discriminação e exigir que entre em vigor no Brasil, imediatamente, a Resolução nº 130 do Mercosul segundo a qual os homossexuais deixar de integrar os chamados grupos de risco", disse Mott.

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